De próprio punho, por Adriana Bechara (jornalista): as mudanças que a Covid trouxe à vida da (agora) ex-editora de moda

  Acredito que cada um tem seu tempo para entender as mudanças do mundo e para dimensioná-las também. A chegada do coronavírus, de imediato, pra mim, foi acachapante. Percebi que o mundo estava entrando numa outra esfera de (im) possibilidades, (in) consciências e (in) variáveis fora dos nossos planinhos cotidianos. Fiquei obcecada com o noticiário,…

De Próprio Punho, por Daniel Gonzaga: “Me faço festa junina então, em casa, relembrando os afetos, os cheiros, os gostos e as noites de junho”

Não precisa orquestra pra animar a festa… “Como é bom São João na roça”, já dizia Luiz Gonzaga. Pactuo. Sou desses. Como compositor de escola de samba, me associo ao carnaval, mas é, na festa junina, que me acabo. Gosto de comer, “sou magro de ruim” — agora, quem dizia era minha mãe. Milho verde, bolo de milho, canjica, pamonha,…

De Próprio Punho, por João Carlos Martins (maestro): “Completo 80 anos no dia 25 de junho e, nessa data, pretendo anunciar meus planos para os próximos 20 anos”

Eu gostaria de começar dizendo que o mais importante neste momento é o pós-pandemia. Por quê? Porque o pós-pandemia vai mostrar, espero, um planeta diferente, onde a desigualdade possa diminuir. Em outras palavras, eu acredito na palavra esperança. Esperança que esta pandemia — que aflorou a solidariedade de todo ser humano que tem amor ao…

De próprio punho, por Luís Felipe de Lima, músico que pôs seu violão à venda: “Entre o desapego e a dor da separação, venceu a sobrevivência” 

A vida? Sempre foi regrada, sem excessos. Muito trabalho desde criança, dos tempos de ator-mirim na Globo. Meu pai era ator e diretor de teatro e minha mãe, bailarina. Aprendi bem cedo que a vida na corda bamba tem suas dificuldades e que, por isso, é preciso acumular reservas, sempre. Virei músico profissional por volta…

De Próprio Punho, por Angélica (apresentadora): “Enquanto sair lá fora não for seguro, olhar para dentro vai ser inevitável” 

Falar em meditação no meio de uma pandemia pode soar como uma conversa fora de hora. Em um primeiro momento, parece mais um daqueles assuntos “good vibes”, na mesma linha das pessoas que estão agradecendo pelo tempo de quarentena para se dedicar a novos hobbies, ou comemoram os “dias livres” para experimentar aquela receita de…

De Próprio Punho, por Fabienne Bezerra, presidente do Jardim da Saudade: “Criamos novas formas de despedidas, como velórios ao ar livre” 

Trabalho em uma área essencial, em que o preconceito em relação à atividade ainda é muito grande no Brasil. Há 40 anos, quando decidi seguir esse caminho profissional, fui influenciada pela paixão de meu pai, Nacle, fundador de nosso grupo empresarial, cujo sonho era tornar o momento de adeus mais humano e digno, oferecendo às…

De Próprio Punho, por Aziz Filho (jornalista): “Na luta silenciosa contra o vírus, senti o medo de quem vê a peste crescer”

Fiquei febril em um domingo. Era o 20º dia de quarentena com a família, e me isolei no quarto. Não tive tosse, dor no corpo, não perdi olfato, paladar ou apetite (isso seria gravíssimo). Tomava dipirona à noite, quando a febre chegava a 37,8 graus, e pronto, ela caía. O que ligou o alerta vermelho…

De Próprio Punho, por Carlos Vereza (ator): “Um dos motivos de ter apoiado Jair Bolsonaro foi acreditar que ele harmonizaria o País”

Um dos motivos de ter apoiado publicamente Jair Bolsonaro foi acreditar que ele harmonizaria o País, que superasse o “nós contra eles”, da era lulopetista. Foi uma decisão praticamente solitária do ponto de vista da classe artística, pois a maioria absoluta votava em candidatos da esquerda. À época, Bolsonaro era o único sem ruído algum…

De Próprio Punho, por Ana Luiza Rego (artista plástica está presa em NY, com a filha, desde o início da pandemia): “Vou tentando tirar o melhor do pior”

  Cheguei aos Estados Unidos, no final de fevereiro, para visitar minha filha, como sempre faço. No dia 4 de março, embarquei para New Orleans, onde fica sua universidade. Nessa data, soube-se  do primeiro caso do estado de Nova York: um advogado que trabalhava em Manhattan e morava em New Rochelle. Não havia alarme, tudo continuava…