De próprio punho, por Celso Rayol (arquiteto): “Botafogo já não é mais um bairro de passagem, é um bairro de destino”

Nasci e cresci no interior do estado, em Volta Redonda, mas, quando cheguei ao Rio, para cursar Arquitetura, tive Botafogo como minha acolhida: estudei na Universidade Santa Úrsula. O campus fica justamente ali, no entroncamento entre Botafogo, Laranjeiras e Flamengo, junto da praia, ao lado do viaduto da Pinheiro Machado. O ir e vir e…

De Próprio Punho, por Roberta Machado (sócia do Grupo Editorial Record, sobre Graciliano): “Foi o primeiro grande contrato que assinei depois que meu pai morreu”

A relação da Record com a obra do Graciliano Ramos está prestes a completar 50 anos. Sempre foi motivo de grande orgulho para nós acolher e zelar pelo legado de um dos grandes autores brasileiros de todos os tempos. Por isso, na última renovação de contrato com a família do autor, decidimos prorrogar o pagamento…

De próprio punho, por Sacha Rodrigues (fotógrafo): “O busto do meu avô (Nelson Rodrigues) será reposto. O comportamento do São João Batista foi ótimo”

Desde o último fim de semana, fico pensando se o cara que levou o busto do meu avô Nelson Rodrigues, do cemitério São João Batista, já teria assistido a alguma das suas peças. E, quem sabe, mesmo assim, a teria furtado? Ou talvez, por isso mesmo? Cultivo os saudáveis hábitos de sonhar e realizar meus…

De Próprio Punho, por Júlia Barroso (jornalista): “No auge da minha dor, resolvi contar a minha história com a escoliose”

Hoje sou a mulher da coluna torta, mas já fui a menina. Aos 11 anos, em uma consulta de rotina com médico ortopedista, descobri uma grave deformidade na coluna: escoliose. Logo eu, uma pré-adolescente cheia de vida, vaidosa e, como a maioria, descobrindo o próprio corpo. A notícia, que chegou mais explicadinha por meio dos…

De Próprio Punho, por Karen Acioly (autora e diretora): “A maior potência da humanidade — e também o maior dos mistérios —  está na infância”

A maior potência da humanidade — e também o maior dos mistérios —  está nas infâncias. É na infância que encontramos o portal do conhecimento mais profundo sobre afetos, imaginários, memórias, percepções e sentimentos. A diversidade das infâncias no Brasil é atravessada por simbologias de misturas culturais, uma espécie de pedra de toque rara que…

De próprio punho, por Carla Benchimol (administradora): “Estamos todos de saco cheio, portanto vamos colocar asas e voar — nos sonhos e nos desejos”

    O ano está acabando, e eu apareço de novo para fazer minha retrospectiva. Para quem chegou até aqui forte, feliz e otimista, desejo meus sinceros parabéns. Eu virei o ano com o pé direito no chão, fazendo milhões de planos, e não realizei absolutamente nenhum deles. Prefiro pensar que chegar viva e saudável já é…

De próprio punho, por Gil Monteiro (cantor católico), lançando o livro “Será que ele é?”: “Fui aprendendo sozinho a colocar esses desejos no armário”

Cidade pequena, interior do Paraná, daquelas sem semáforo, onde as crianças brincavam na rua… Cena bucólica dos anos 80. Nasci nesse contexto. Família católica. A igreja, imponente em sua arquitetura simétrica, ficava à vista da janela do meu quarto — era a primeira coisa que eu via de manhã ao abrir a cortina, e a…

De Próprio Punho, por Ana Holck (artista plástica): “Tenho visto alguns colecionadores fazendo um esforço consciente para comprar obras de mulheres”

O chamado meio da carreira, ou “mid-carreer”, é certamente o período mais longo. Exige resiliência, persistência, insistência, muitos artistas desistem, param. Certa vez, deparei com esta reflexão, de que este seria o período mais difícil, o da resistência. No começo, existe um interesse pela novidade, uma aposta, e muitas oportunidades: salões, concursos, editais, todas as…

De próprio punho, por Taissa Maia (pesquisadora): “Gal Costa me ensinou que nosso corpo é inteligente, que ele produz discursos”

Nunca estive pessoalmente com Gal Costa — eu a conheci aos poucos. Como muitos, eu também a colocava num segundo plano, entre os grandes da MPB. Quando me perguntavam quem estava no meu pódio, Milton Nascimento e Chico Buarque, com certeza. O terceiro lugar variava: às vezes, Caetano, às vezes Gil. Gal me fez quebrar o…