De Próprio Punho, por Ana Holck (artista plástica): “Tenho visto alguns colecionadores fazendo um esforço consciente para comprar obras de mulheres”

O chamado meio da carreira, ou “mid-carreer”, é certamente o período mais longo. Exige resiliência, persistência, insistência, muitos artistas desistem, param. Certa vez, deparei com esta reflexão, de que este seria o período mais difícil, o da resistência. No começo, existe um interesse pela novidade, uma aposta, e muitas oportunidades: salões, concursos, editais, todas as…

De próprio punho, por Taissa Maia (pesquisadora): “Gal Costa me ensinou que nosso corpo é inteligente, que ele produz discursos”

Nunca estive pessoalmente com Gal Costa — eu a conheci aos poucos. Como muitos, eu também a colocava num segundo plano, entre os grandes da MPB. Quando me perguntavam quem estava no meu pódio, Milton Nascimento e Chico Buarque, com certeza. O terceiro lugar variava: às vezes, Caetano, às vezes Gil. Gal me fez quebrar o…

De próprio punho, por Luiza Mussnich (poetisa): “Que medo é esse de ser feliz, Botafogo? Só morre de medo de perder quem pode ganhar”

Eu escolhi você — ou você me escolheu, acredito que tem alguma predição divina em torcer por uma equipe — porque torcer por você é uma forma diferente de lidar com as circunstâncias da vida. Uma possibilidade de existência em que acredito. Que abraço sem medo, sem dúvida de que é a única possível. Tem…

De Próprio Punho, por Ticiana Porto,  psicanalista (terapia assistida por psicodélicos): “Em 2020, dei início a minha pesquisa, que recebeu o nome de Clínica da Integração em Psilocibina”

Em meados de 2015, começamos a sentir os efeitos do renascimento dos psicodélicos, uma aliança da ciência com a via terapêutica, visando à diminuição do sofrimento humano.   Como resultado de inúmeras pesquisas em diferentes universidades do mundo, vimos o surgimento do Atlas of Psychedelic Research — um mapa interativo das pesquisas com psicodélicos recentes e…

De próprio punho, por Fernanda Capobianco (naturopata): “Aos 13 anos, aprendi a cuidar do meu pai, que era drogado e vivia doente” 

Aos 13 anos, eu aprendi a cuidar do meu pai, que era drogado e vivia doente. Na minha adolescência, eu não comia carne nem bebia álcool, nem interessei por nutrição, saúde, culinária e espiritualidade. Aos 21, estudava Cabala (no Cabala Centre, no Leblon, e Budismo,  na Sociedade Teosófica do Rio) e me apaixonei pela Naturopatia…

De próprio punho, por Marlise Corsato (museológa): “Meu irmão era meu cúmplice, meu passado transportado para o presente e, agora, estilhaçado para sempre”

Era uma quinta-feira normal: às 6h30, eu, já na rua, a caminho da ginástica. Não tenho o costume de levar o telefone celular para a aula, então minha vida começa depois das 8h. Cheguei em casa; o telefone, aceso na bancada da cozinha, era uma alerta: várias chamadas perdidas e, no topo da lista, a…

De próprio punho, por Cesário Mello Franco (escritor): “No meio deste país meio caótico, havia um local muito especial, era a casa de meu avô” (Afonso Arinos)

  Sou filho de diplomata e, como tal, pouco conhecia do Brasil até meus 17 anos. Até então, vínhamos ao País, meus irmãos e eu, apenas nas férias de julho ou dezembro, e nem todos os anos. Me lembro das praias ensolaradas, das ruas ruidosas e do que me parecia uma desorganizada e pegajosa alegria…

De próprio punho, por Henrique Pinheiro (autor de “Terra Revolta — João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária”): “Conheci meu pai depois que ele morreu, fazendo o documentário”

Meu pai, João Pinheiro Neto, era advogado e jornalista, com raízes na política mineira tradicional, ligada ao PSD de JK, mas acabou se aproximando do trabalhismo de João Goulart através do seu querido amigo Samuel Wainer. Foi ministro do Trabalho e Previdência Social aos 33 anos (1961-1962); em seguida, ministro da Reforma Agrária (1963-1964). JPN…

De próprio punho, por Gabriela Lian (jornalista), sobre apraxia da fala: “O poder das palavras ditas sem dizer”

As palavras que sempre eu tanto amei, um dia faltaram por aqui. Minha pequena Isadora, que não nos dava sinais de atraso até os 2 anos de idade, empacou quando começou a falar. Os meses seguintes foram de pura angústia para uma mãe ansiosa por ouvir as primeiras frases da primeira filha. Logo comigo? Jornalista, bacharel em Letras, comunicadora por…

De Próprio Punho, por Paulo Müller, cirurgião: “A partir dos 60, com os meus colegas reduzindo a carga de trabalho, fui na contramão, começando algo novo”

Nasci no Leblon, estudei na UFRJ. Toda a minha formação e vida profissional foram no Rio, cidade onde sempre morei e amo. São Paulo sempre fez parte do meu trajeto de trabalho, congressos e alguns amigos. A cidade me encantou por sua diversidade, movimento constante, vida cultural e restaurantes excelentes. O Rio pra mim é liberdade, natureza…