BLOG - TEATRO, por Claudia Chaves

07/09/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Nerium Park”

Mudança de casa/casamento, perda de emprego e viagem são os três maiores pontos de stress. Quando se adiciona gravidez, solidão acontece a receita perfeita e acabada para que as pequenas dores se tornem insuportáveis e até fatais. É nesse ambiente que a peça Nerium Park, do dramaturgo e diretor catalão Josep Maria Miró, conta a história de Miguel e Malu, em cartaz no Teatro Glaucio Gil.

O projeto idealizado por Rafael Baronesi, que faz o papel de Miguel, é dirigido pelo premiado Rodrigo Portela de Tom na Fazenda conta a história de um jovem casal bem sucedido – ela Malu, interpretada por Pri Helena – que se muda para um apartamento num condomínio vazio. Entre quatro paredes, o inferno são os outros. Assim, a ação vai  em um crescendo, com o desemprego de Miguel e a gravidez de Malu.

“Essa peça fala, entre outras coisas, da solidão dos dias atuais. Cada vez vivemos mais sozinhos, numa dimensão individual e virtual. Estamos esquecendo de conviver de fato com as outras pessoas”, destaca Baronesi, idealizador do projeto. “Tem outro tema que a peça aborda, e que me interessa muito, se resume na seguinte pergunta: o que eu sou capaz de fazer no meu dia a dia para tornar a vida um pouco melhor para o outro?”, completa.

O  eixo  condutor da peça é a movimentação cenográfica de plantas que  vai transformando  o apartamento em um ambiente fechado e a atuação dos atores vai se fechando.  Cresce a mata fake, como  fake é o amigo  inventado por Miguel. Falso é também  o sonho de independência  da casa própria, pois o condomínio durante  meses não recebe ninguém. Falsa acaba sendo a solução da vida quando essa vem dos símbolos de sucesso que o capitalismo atual inventou como casa própria e emprego importante.

Serviço
Local: Teatro Glaucio Gill – Praça Cardeal Arco-Verde, s/n, Copacabana
Dias e horários: De sexta a segunda às 20h.


Enviado por: Redação
31/08/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Ãrrã”

Na vida existe o jogo de que desempenhamos vários papéis. Somos  desde que nascemos filhos, irmãos, netos, um bebê a ser cuidado. Dois atores no palco  reproduzem  a vida. Em cada situação somos um. Um gesto, um coração, um texto, uma emoção variam do  lugar, da posição, do medo , da coragem. Somos um, mas somos vários. Esse é o eixo de “Ãrrã”, em cartaz no Espaço Furnas

O premiadíssimo “Ãrrã” , o segundo episódio da trilogia Placas Tectônicas, composta por “Não nem nada” (2014), “Ãrrã” (2015) e “Chorume” (2017), articula-se como um jogo cênico onde dois atores-jogadores representam múltiplos personagens, em cenas que se sucedem alternando constantemente noções de tempo e espaço, onde a voz e o corpo dos atores é capaz de erguer e destruir universos na velocidade de fala, movendo continuamente a perspectiva do espectador. 

“A mim interessa muito essa dimensão do teatro como um contrato que se faz instantaneamente. Está na frente de nossos olhos e são estruturas aparentes. Eu não preciso dizer e fazer com adereços. Ainda mais com intérpretes desse quilate em um texto como esse. Ou encontra atores que seguram isso, essas modulações emocionais, de vocais, corporais, ou não acontece”, diz Vinicius Calderoni, o autor, diretor e ator.

Luciana Paes e Vinicius Calderoni desempenham os diversos  papéis em um espetáculo que  mistura a repetição de palavras, som of de aplicativos,  passagem de tempo e de local que , aparentemente, quebram a barreira de uma lógica narrativa. Os quadros se sucedem em ordem lógico e sem começo ou fim determinado.  Homem e mulher, ator e atriz mostram que o ofício de viver, assim como o ofício do artista, é viver aquilo que se apresenta. 

Serviço
Local: Espaço Furnas Cultural – Rua Real Grandeza, 219, Botafogo.
Dias e horários: Sábados e domingos, às 19h.
Ingressos: grátis, com distribuição de senhas na bilheteria, 1 hora antes. 

Fotos: Lenise Pinheiro


Enviado por: Redação
24/08/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Nefelibato”

De médico e de louco, todos nós temos um pouco. Enlouquecer, como vê o senso comum, é uma forma de fugir, ir para outro planeta,  criar novas identidades, sartar fora, cantar pra subir,  dar bom dia a cachorro. Muito se brinca. Seria cômico se não fosse sério. Em “Nefelibato”, monólogo de Regiana Antonini com  Luiz Machado, que celebra 20 anos de carreira, não existe nem o elogio à loucura e muito menos a ironia com os loucos. Retrata, com muita poesia, o que acontece com as pessoas quando se perde o chão.

Com direção de Fernando Philbert e supervisão de Amir Haddad, o monológo é um diálogo com os próprios devaneios, sonhos, percalços, desesperos, angústias e alegrias do personagem Anderson, inspirado em uma pessoa real, empresário bem-sucedido, que perde tudo com o Plano Collor. Morre sua avó, sua principal âncora; seus negócios acabam por falir e perde a mulher amada. É no caminho da evasão que  Anderson resiste. E vive.

“Quis tratar do instinto de sobrevivência que o ser humano tem e que ele esquece que tem”, salienta  Fernando Philbert, diretor, antes de chamar a atenção para um certo grau de consciência que o personagem tem de sua condição: “Para não se matar ou matar alguém, ele vai para a rua. Viver na rua é o caminho que ele encontrou para continuar vivo”. Anderson é alguém que vive situações limite. Um equilibrista no fio tênue entre lucidez e loucura, vida e poesia.”

Uma casa feita de lixo, roupa em andrajos, a típica barba podem parecer que se trata de um louco/comum/mendigo com que nos deparamos diariamente e nos são invisíveis. Machado  em um desempenho extraordinário encarna com força e maestria um homem visceral. Um louco? Quem sabe? Ou alguém que não se submete?  Alguém que escolhe andar no mundo da lua, pois a realidade pode ser mortal?

Serviço
Cidade das Artes, Barra
Sábado às 20h
Domingos às 19h


Enviado por: Redação
17/08/2018 - 11:30

Teatro, por Claudia Chaves: “A Vida não é um musical – O musical”

Contos de fadas são fascinantes ao contarem histórias que nos ensinam, desde muito cedo, a ver o mundo com olhos da realidade. Disney, com suas adaptações, radicaliza os sonhos e nos faz desejar mergulhar de cabeça nesse universo. E ouvir o melhor da música brasileira, em seus diferentes estilos, só pode criar um ambiente de prazer. “A Vida não é um musical – O musical”, em cartaz no teatro Sesi, costura todas esses pontos com muita eficiência.

Com texto e trilha originais de Leandro Muniz e Fabiano Krieger, a peça consegue seguir a tradição dos  bons musicais, mas também combinar com a tradição brasileira de sátira política e boa música brasileira contemporânea . A inspiração na cidade do Rio é o chão para que  o diretor João Fonseca, que assina a direção junto com o autor,  realize um trabalho impecável com movimentação dos atores, interpretação, iluminação de forma integrada. “Eu e Leandro viemos do mesmo berço, a Cia Fodidos e Privilegiados, e há muito tempo queríamos trabalhar juntos, eu queria dirigir um texto dele, com seu humor inteligente e novo. Quando em 2017, fizemos um programa de Tv juntos, era o que faltava. Ai veio o convite, quando li o texto fiquei encantado com o que li. Aceitei na hora,  disse Fonseca. 

Na filosofia não tem luxo nem lixo, ao contrário dos musicais biográficos ou dos espetáculos “colados” nos  originais da Broadway, a partir de um  fato infelizmente cotidiano, cair-se em uma favela por engano e aí passar por todos os inerentes dissabores, “A vida não é um musical” transforma  a menina Cinderela em um expectadora ativa daquilo que acontece à frente de nossos olhos e não se vê.

Serviço:
Sesi Centro
Sexta e sábado às 19 h
Domingo às 18 h


Enviado por: Redação
10/08/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: Mostra Baixada em Cena integra Fitu 2018

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Teatro é texto, ator, narrativa, riso,  lágrimas, emoção. Teatro se faz em qualquer palco. arena, tradicional, clube, igreja, sindicato, embaixo de árvores. É exatamente esse o trabalho da Rede Baixada em Cena – formada por 16 coletivos da Baixada Fluminense – que se apresenta há décadas por toda essa região, onde dá, quando pode. Com todo o talento, esforço e perseverança.

Entre os dias 13 e 17 de agosto, a Rede Baixada em Cena realiza a sua quarta mostra no Rio, em parceria com o Festival Integrado da Unirio (Fitu), no Centro de Letras e Artes da Unirio. A Mostra Baixada em Cena integra o festival na edição que tem como tema “Teatro e Periferia”. Além de espetáculos, a mostra também conta com uma performance e um sarau

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“É importante ocupar os espaços, sobretudo um espaço universitário com a importância da UniRio, o mais importante centro de formação para o teatro do Rio de Janeiro. Além do intercâmbio, proporciona à Rede a oportunidade de debater o acesso a esse espaço e apresentar a alunos da instituição, que fica na zona sul carioca, e moram na Baixada a mobilização que acontece em sua região e sua potência artística e cultural”, diz Leandro Sant’Anna, um dos fundadores do movimento.

A programação é extensa e começa com força com Leandro Santanna, ator de Queimados, indicado este ano, na categoria de melhor ator, na 31º Prêmio Shell de Teatro, com o espetáculo “Lima entre nós – estudo compartilhado a obra de Lima Barreto”.

Serviço:

Mostra Baixada em Cena no Fitu 2018
Data: 13 a 17 de agosto
Local: Escola de Teatro da Unirio (Av. Pasteur, 436 – Fundos, Urca)
Entrada Gratuita

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Enviado por: Redação
03/08/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaes: “MAKURU – Um musical de ninar”

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Mães  e pais reclamam que as crianças não dormem. As crianças querem ver o mundo, sentir o que está acontecendo. Reclamações dos primeiros. Choro e ranger de dentes dos segundos. É manha, dizem uns. É desassossego dizem outros. E os mitos que rodeiam a infância tentam, na fantasia resolver esse impasse. Essa mágica é a base de “MAKURU – Um musical de ninar”, espetáculo infantil que leva a assinatura de Tim Rescala e José Mauro Brant, no Espaço Furnas Cultural, com entrada franca.

Música ao vivo, canto, dança, gente de verdade, bonecos, personagens folclóricos foi o caminho escolhido para criar um espetáculo de encantamento. Com canções originais, ao mesmo tempo eruditas e populares, fazem com que a história cresça equilibradamente, com cenas da família e o bebê com dificuldades de sono e os seres mágicos que observam enquanto moram no telhado.

“O Makuru veio da vontade de retomar o que era essencial para mim, que estava ligado à minha história toda de vida. E, apesar de falar das cantigas de ninar, ele se liberta desse tema. Por que as pessoas têm medo desses elementos de cultura popular? Por que eles despertam tantas paixões e há tanto tempo? “Então, tem esse olhar para frente para que as pessoas pensem e se conciliem com esse material porque ele faz parte da nossa identidade”, diz José Mauro Brant, autor e diretor.

No cenário expressivo e com figurinos expressivos e totalmente adequados, o elenco, extremamente competente, formado por Ester Elias, Janaína Azevedo, José Mauro Brant e Ester Freitas, que se revezam nos papéis do mundo real e nos do mundo mágico. A fantasia e as cores ajudam a fazer com que crianças e adultos compreendam que as lendas ainda possuem um papel fundamental para nos ajudar a entender o mundo e que a fantasia ainda nos é fundamental.

Serviço:
Espaço Furnas Cultural
Sábados e domingos, sempre às 17h
Entrada Franca. Retirada dos ingressos: 1h antes do início do espetáculo

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Enviado por: Redação
27/07/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “A Invenção do Nordeste”

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Caba da Pesti. Paraíba. Isso é uma baianada. Assim são chamados os nordestinos pelo  Sul Maravilha. Dois países que não se encontram, não se conhecem, não se reconhecem. Essa desidentidade é o mote da absolutamente genial Invenção do Nordestedramaturgia baseada na obra “A Invenção do Nordeste e Outras Artes”, do Professor Dr. Durval Muniz de Albuquerque, em cartaz no Mezanino do Sesc- Copacabana.

Grupo Carmin, do Rio  Grande do Norte, com mais de 10 anos de atuação tem a rara coesão competente que faz do teatro uma manifestação artística extremamente  prazeirosa. São 3 atores em cena: Henrique Fontes, Mateus CardosoRobson Medeiros que contam  como os 2 últimos são preparados para  um teste de uma produção do Sul para fazerem o papel de Padim Ciço jovem. E dessa linha extremamente  simples, que  Mateus e Robson usam voz, corpo para apontar a  fragilidade/falsa  do conceito sobre uma “cultura” nordestina.

Apoiados em um telão que funciona como vídeo, como teatro de sombras, a história tece em um crescendo de onde  parte a visão equivocada e, por isso, os atores variam, com total maestria, os tons, os semitons, os gestos de mãos, as pernadas para ir mostrando, com leveza e humor, como  essa visão limitada impede que o Nordeste possa ser Nordeste. Ao mesmo tempo histórico, social e antropológico, o texto aponta para a enorme dificuldade que os talentos artísticos possam ter lugar na cena nacional.

A direção de Quitéria Kelly é mais do que marcações de luz, saídas e entradas. Como artesã competente, Quitéria burila o talento dos 3 atores. Henrique vai no tom que o papel de diretor exige, sisudo e exigente, de quem tem uma missão a cumprir. Robson e Mateus se alternam com igual brilho para mostrar duas facetas da mesma moeda:  os que vêm do Nordeste, sejam como atores, personagens, gente comum são mais do que uma reprodução de um folclore; são pura alegria e emoção que faz a noite tornar-se inesquecível. Voltem correndo!

Serviço:
Sesc Copacabana (Mezanino)
Sextas e sábados às 21h
Domingos às 20h

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Enviado por: Redação
20/07/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Passarinho”

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Passarinho é canto, é delicadeza, é filiação.  É liberdade de voa, passarinho, voa. É também com diz Mario Quintana “eles passarão, eu passarinho”. Essa capacidade de se filho e se aconchegar,  de se liberar, de se movimentar com toda delicadeza, de ir  de árvore em árvore, de  pequenos experimentos com o bico, de poder exercer a beleza é o passeio do espetáculo Passarinho, com texto e atuação de Ana Kutner e direção de sua irmã Clara Kutner, em cartaz na Sala Multiuso do SESC Copacabana.

As irmãs de Ana, Clara e Bel Kutner também atriz, a chamavam de passarinho em casa. Do apelido/codinome, Ana constrói, a partir do eixo de uma radiografia de sua geração nos anos 80 e 90, um monólogo no qual o diálogo com os personagens de sua vida, de sua trajetória artística, torna-se uma narrativa para lá de interessante. Uma atuação que mistura texto, dança, música, intimidade, histórias reveladas se casam no mesmo movimento de um passarinho sair do ninho, começar a bater as asas e partir.

 “A peça defende o direito e a liberdade de sermos quem somos, sem julgamentos ou rótulos. E neste sentido ela é política e universal. Ela só é radical na não radicalidade. Nela falo, sim, de meu pai e minha mãe (Paulo José e Dina Sfat), na medida em que eles são também minha história e minha memória, mas falo de muitos outros afetos e de como eles me atravessaram pela vida. E de como todos nós nos deixamos atravessar ou atravessamos o outro.”, completa Ana.

É memória que não é memória pois os fatos podem acontecer com qualquer um de nós. É revelação de amores, de impasses,  dos olhares da juventude, do uso de drogas, da relação com os pais. É a narrativa de se construir uma individualidade, a própria subjetividade a partir de um “eu confesso” público, no qual sexualidade, maternidade, sororidade com as irmãs, escolhas de vida são o pano de fundo para alcançar novos patamares. Voa, Ana/Passarinho, voa.

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Serviço:
Sala Multiuso do SESC Copacabana
Quintas, sextas e sábados às 19h
Domingos às 18h


Enviado por: Redação
13/07/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Ícaro and the Black Stars”

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É um pássaro? É um avião? É o Super-Homem? Não, é Ícaro Silva, o ator que viveu Simonal no musical, com um figurino que mistura uma roupa futurista  de astronauta, duas asas, cantando, dançando e envolvendo a plateia com um roteiro do melhor da black-music de todos os tempos no show/musical Ícaro and the Black Stars, em cartaz no Teatro XP Investimentos.

Com dramaturgia e direção de Pedro Brício e direção musical de Alexandre Elias, Icaro Silva, com as cantoras/atrizes Hananza e Luci Salutes,  transformam o palco em uma nave que passeia no tempo e nos espaços, sem pretender contar a história da black music ou fazer um didatismo sobre o significado desses astros a partir da segunda metade do século passado.

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 “Sempre quis produzir um espetáculo de black-music, pois essa era a minha base  quando era DJ. E quando esse mesmo grupo, eu, Ícaro, Pedro, Alexandre, estava fazendo o Show do Simonal, pensei em dar mais um passo. Fazer um espetáculo que misturasse música, vídeo, história, que fosse mais do que um show, mas com a dimensão teatral de construção de personagens e de construir uma narrativa. Aqui chegamos”, diz Caio Bucker, o produtor.

Com um telão com imagens com a mesma estética dos antigos seriados como Flash Gordon, o espetáculo consegue um fato raro: as letras das músicas funcionam para o que se diz naquele momento, a história pessoal do ator, o movimento black nos Estados Unidos. Dessa forma, consegue construir , além da super interação com a plateia, pela excelente qualidade musical, mas também, de quebra, ainda mostrar como  o talento ainda é o melhor para se apreciar em qualquer tempo.

Serviço:
Teatro XP investimentos
Sextas e sábados. às 21h
Domingos, às 20h

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Enviado por: Redação
06/07/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Naitsu”

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“Sonhar com rei dá leão”. Tive um sonho, um pressentimento. Meu maior sonho é ver o Brasil hexa. Sonhei com você, e não caí da cama. O sonho,  já  apontou Freud,  é o campo de realização daquilo que não se concretiza no cotidiano. Nossos delírios, nossos medos, nossas ansiedades acontecem como um filme, às vezes de terror, às vezes de final feliz. O espetáculo “Naitsu”, em cartaz na Laura Alvim, é uma bela parábola de como sonhos se processam.

O monólogo coreográfico criado por Regina Miranda especialmente para Marina Salomon, baseado na obra Haruki Murakami, considerado o maior autor japonês da atualidade, é um movimento entre corpo e palavra, braço e voz, andar e sentar, falar e repetir, que se constrói em giros de Marina atriz/bailarina em uma lógica de se autoexpor para evidenciar que a expressão  se constrói em todos os nossos poros.

“Naitsu” (noites, em japonês) convida a plateia para a experiência conjunta de uma noite em claro, com seus momentos de sonho, delírios, angústias e reflexões. O espetáculo cria um diálogo entre as várias noites descritas por Murakami e as noites que, por vezes, nos assaltam, aquelas onde os limites entre razão e insanidade tornam-se mais tênues, e a percepção da presença de instâncias fantásticas torna-se mais aguçada”, diz Regina.

Hoje, vamos para a “naite” nos divertir, nos embriagar, alcançar novos prazeres. O elegante figurino de Luiza Mercier tem a festa no vestido diáfano e o dia quando Marina incorpora um blazer. A dança é uma lembrança presente, como o corpo que se agita durante o dia, que faz do espetáculo uma forma de linguagem que nos faz refletir se é preciso dormir para sonhar.

Serviço:
Casa de Cultura Laura Alvim
Espaço Rogério Cardoso (porão)
Sexta e sábado, às 20h30
 Domingo, às 19h30

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Enviado por: Redação
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