Quando conseguem juntar o espírito de compaixão e o trabalho ao conhecimento e “expertise” profissionais, vemos que pessoas especiais são capazes de brilhar. A história da pediatra, três vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz e fundadora da Pastoral da Criança, cuja vida dedicada aos outros contribuiu decisivamente para a redução da mortalidade infantil no País, é o que conta a peça Zilda Arns – A dona dos lírios, em cartaz no Teatro Candido Mendes. Uma vida extraordinária nos é apresentada no desempenho excepcional de Simone Kalil, autora do texto, junto com Luiz Antônio Rocha, também diretor do espetáculo. No cenário de lírios de material reciclável, Simone entroniza a personagem de Doutora Zilda, com dois níveis diferentes de utilização da voz e do corpo.

Em todo o tempo, o que se vê é força, brasilidade, empatia, preocupação com o outro, delicadeza e perseverança na peça, produzida pela parceria entre Simone e Luis Antônio – um resultado muito bem-sucedido. É linda a trilha sonora, desenvolvida por Beá, na qual canções e sons de instrumentos brasileiros são o reforço perfeito para contar uma história que, com fortes doses de total sofrimento, poderia ser mais um monólogo biográfico piegas.

Há, nessa parceria de ambos, a capacidade de fazer aquilo a que o público vai assistir: uma história bem contada, uma atriz capaz de nos emocionar – rir, chorar, aplaudir. A escolha da Doutora Zilda segue a doutrina da Igreja: cuidar dos que mais precisam. A escolha de Simone Kalil e de Luiz Antônio Rocha é de fazer o melhor teatro, aquele do qual mais precisamos.

Serviço:
Teatro Candido Mendes
Sexta a domingo, às 20h.

Fotos: Dalton Valério

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Enviado por: Redação

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