06/04/2018 - 14:39

“Perder nossos direitos é como perder massa magra depois de certa idade”.

 

Da atriz Zezé Polessa, sobre a votação do STF do dia 26 de abril, que pode acabar com a existência do registro profissional de artista (DRT).


Enviado por: Redação
05/04/2018 - 20:00

Seis perguntas para Zezé Polessa (sobre a polêmica do registro de artista)

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O meio artístico está mobilizado com a votação marcada para 26 de abril, no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode extinguir a existência do registro profissional de artista (DRT). Segundo publicação do STF, a decisão poderá “acabar com a obrigatoriedade de diploma ou certificado de capacitação das profissões de artista e técnico em espetáculos de diversões”. A Procuradoria Geral da República (PGR) alega que a atividade “não se trata de profissão, mas sim de livre manifestação artística”. No Rio, os grupos Movimento de Artistas e Atores (MOVA) – criado por Antonio Fagundes em 2013 – e o Movimento de Artistas de Teatro do Rio (MATER) entraram na briga para encontrar uma solução e marcaram uma reunião com a classe para dia 9 de abril, no Teatro XP, no Jockey.

Zezé Polessa, uma das 150 integrantes do MOVA, conta que, entre as resoluções, está um encontro com a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, para entregar-lhe, em mãos, um documento feito pelos artistas. “Perder nossos direitos é como perder massa magra depois de certa idade. Acredito que a Drª Cármen terá bom senso e consideração com a categoria. A novela é um fenômeno cultural do nosso País, apreciada no mundo inteiro. Não ter o DRT atinge a sociedade”, diz Zezé. O assunto está rendendo tanto que nessa quarta-feira (04/04), diversos atores gravaram um vídeo em protesto, entre eles a própria Zezé, Murilo Benício, Júlia Lemmertz, Malu Mader, Débora Falabella, Mateus Solano, Drica Moares e Cissa Guimarães.

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Como você recebeu a notícia?

Alguém colocou no grupo de Whatsapp do MOVA. Primeiro temos que entender o que é a petição, conversar com os advogados. Por enquanto, temos uma denúncia de irregularidade de um sindicato de atores no Centro-Oeste, de que eles exigiram dinheiro de um artista para que ele pudesse tirar o DRT (Departamento Regional de Trabalho). O DRT é concedido se você mostrar uma formação universitária, ou fizer um curso técnico, ou se você provar sua experiência por trabalhos feitos. Meu DRT (tirado em 1979) foi uma conquista – não tive que dar dinheiro nem nada disso, foi clássico e ético

2
Em que essa petição pode afetar a classe?

A gente não vai deixar de escrever nossa identidade social como ator ou atriz, músico, trapezista ou malabarista. Podemos ter o registro, mas a desobrigatoriedade de um DRT acaba com a necessidade de um sindicato, que é a representação de uma classe. A gente precisa deles para requerer inúmeros direitos. Perder isso é tirar um espaço profissional. Isso foi uma luta de mais de 50 anos.

3
E no caso dos novos atores?

Sem sindicato, não tem como provar se ele é ator ou atriz. Se uma pessoa vem do interior e diz que fez teatro por 10 anos na sua cidade, mas quer o registro no Rio, como fazer se não existe um órgão regulador? Não pode qualquer um colocar ‘ator’ na carteira de trabalho. Ia ficar uma bagunça! A menos que se crie, fora de um sindicato, um órgão que vá discriminar isso. Mas, na reunião, vamos ouvir essa galera nova, porque esse é um movimento da categoria e não dos atores famosos que aparecem na novela – esses não precisam nem escrever na carteira de trabalho, já está na cara.

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Acredita que isso seja um retrocesso?

Parece que a gente está falando de uma época passada, quando a gente ouvia dizer que Dercy Gonçalves tinha o registro de prostituta na carteira. Ser artista era uma coisa ligada a vagabundagem. É um atraso isso.

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Existe uma solução?

Sugiro reavaliar os sindicatos porque essa denúncia me parece muito frágil, como se a pessoa estivesse doente e você a matasse sem dar tratamento. O sindicato está doente porque é corrupto, e você não vai tratar a questão, e matar os atores? Tem que avaliar. A própria classe artística deveria vigiar esses comportamentos, ser mais ativa.

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Está confiante no resultado?

Estou confiante no bom senso da Drª Cármen Lúcia e na consideração com toda uma categoria, porque a arte do ator, da novela, é parte da cultura do país dela. Tirar direitos do sindicato enfraquece a autoestima, tira um pouco de espaço de ser e estar; então a gente está tentando entender tudo isso, porque somos atores né? Confesso que li a petição umas 10 vezes. Vamos dar sugestões, como, por exemplo, fechar o tal sindicato irregular ou fazer eleição imediata para mudar a diretoria atual. E também vamos descrever mais profundamente sobre o trabalho do ator.


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