20/10/2017 - 19:06

Psicanalista carioca faz palestra sobre transexualidade em Paris

Marco Antonio Coutinho Jorge: psicanalista com duas 'drags' em uma de suas palestras /Foto: Arquivo Pessoal

Marco Antonio Coutinho Jorge: psicanalista com duas ‘drags’ em uma de suas palestras /Foto: Arquivo Pessoal

Marco Antonio Coutinho Jorge, um dos maiores psicanalistas do País, professor do Programa de Pós-graduação em Psicanálise da UERJ, diretor do Corpo Freudiano do Rio, membro da Sociedade Internacional de História da Psiquiatria e da Psicanálise (Paris) – e vamos parar por aqui porque não caberia no ‘saite’ –, está em Paris, onde dará uma série de palestras na Maison de l’Argentine, até este sábado (21/10).

Marco conversou com a coluna para contar que está finalizando um livro, em quatro mãos com a colega Natália Travassos, sobre transexualidade, tema de uma de suas palestras, “La Transexualité à l’ére de la science et de la mondialisation” (em tradução livre, “A transexualidade na era da ciência e da globalização”). “O livro será dedicado ao público leigo com o objetivo de transmitir alguns pontos essenciais a partir da perspectiva psicanalítica. O tema tem sido abordado de forma muito superficial pela cultura, sem levar em conta as dimensões da fantasia inconsciente e da identificação”, diz ele à coluna.

Assunto saturado, principalmente depois de a novela “A Força do Querer” incluir a personagem Ivan/Ivana (Carol Duarte), que faz a transição de gênero, o psicanalista nunca assistiu a um capítulo. “Não acompanhei, mas escutei os ecos da trama. Os efeitos são positivos porque é salutar falar sobre sexualidade com abertura e sem preconceito, de modo a oferecer às pessoas condições de compreensão dos aspectos da sexualidade (homossexualidade, bissexualidade, transexualidade) que estão na origem de reações extremamente violentas na nossa cultura. Mas isso é apenas o início de uma longa conversa, e, para isso, a psicanálise precisa ser introduzida”, alerta.

Jorge também destaca uma curiosidade presenciada em suas palestras: “Os trans precisam entender que não existe complementaridade entre os sexos biológicos; a apologia da heteronormatividade é efeito da neurose e do recalque. Assim como Freud assinou manifestos a favor da descriminalização da homossexualidade e da liberação feminina, Lacan afirmou que ‘ninguém autoriza a sexualidade de ninguém'”, diz.

De acordo com Marco, o assunto é preocupante quando trata-se de mudanças corporais: “O problema é a maneira em como a ciência vem respondendo às demandas de transformação corporal sem hesitação ou questionamento. Nesse caso, o papel da mídia pode ser altamente negativo ao se tornar o mais eficaz porta-voz da banalização da ciência. Trata-se de um assunto que requer toda a cautela, pois estão em jogo cirurgias irreversíveis e alterações hormonais cujos efeitos precisam ser cuidadosamente avaliados.”

Marco Antonio Coutinho Jorge: cartaz sobre sua palestra em Paris /Foto: Reprodução

Marco Antonio Coutinho Jorge: cartaz sobre sua palestra em Paris /Foto: Reprodução


Enviado por: Redação
20/10/2017 - 17:00

A novelista Gloria Perez tem a força

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No sentido horário: Alex Lerner; Antônia Müller; Patricia Viera; Tereza Xavier; Renata Reis; Glória Maria / Fotos: arquivo do Site Lu Lacerda

Você não cheira, você não joga, você não trafica, você não trai, você não mente (sim, a gente acredita; isso é coisa de ficção – sei!), mas a “Força do Querer” não te passou indiferente – em algum momento, deve ter mexido com seu estado de espírito. A novela é um sucesso absurdo; além das estatísticas em si, é assunto geral, em classes, níveis e perfis variados: seja pela crítica, seja pelo elogio, seja pelo palpite. A novela é considerada um fenômeno, a mais vista do horário nos últimos tempos e a melhor da autora – em números e crítica – desde “O Clone”, de 2001 e 2002. No PNT (Painel Nacional de Televisão), a média do folhetim, em setembro foi de 39 pontos, com 59% de share — mais ou menos seis em cada dez televisores ligados estavam transmitindo. Ali tem de tudo: traição, tráfico de drogas e transexualidade. Perez foi buscar inspiração no interior do Brasil, especificamente no Pará, e mostrou suas crenças e costumes misturados a temas atuais. Segundo consta, a autora dava dicas até para a mecânica corporal dos artistas. Mas vamos ser inteiramente justos? Ninguém sabe explicar o que faz uma novela dá certo. Convidamos seis cariocas loucos pelo assunto e praticamente de luto com o último capítulo da novela, nesta sexta-feira (20/10). Veja suas opiniões (nomes em ordem alfabética):

Alex Lerner (jornalista): “Lilia Cabral conseguiu mostrar o que é o vicio (em jogo), dosando emoção com humor. A novela explorou a personalidade de cada um, as pessoas gostavam antes de tudo, dos personagens. Assistiam pra ver a Bibi, a Joyce, a Ivana. Mas o mais importante de tudo foi a Gloria Perez resgatar a essência da novela, que andava em baixa e provar que novela boa explode, sim. O problema não é com o gênero em si, é um problema de qualidade. Ela passou a novela inteira escrevendo de pé (a autora só escreve assim), mas quem está de pé no ultimo capítulo somos nós, aplaudindo.

Antonia Müller (estudante de Direito): “Gosto muito da Ritinha, ela é muito safa. O casal Eugênio e Joyce está maravilhoso – ela é uma supermãe, mas a personagem mais bacana é a Geyza. Acho, sobretudo, que a Gloria Perez retrata assuntos tão humanos e atuais. Assisto sempre, não perco. Só marco programa para depois da novela. Estudante de Direito”.

Glória Maria (jornalista): “Sou viciada na novela pelo conjunto da obra – é verdade que tem muitas patricinhas loucas pra virar bandida. A trama da Irene, por exemplo, é tipo retratos da vida: a gente tem que ficar de olho aberto, tem sempre uma Irene pronta pra dar o bote. A força do querer prende pelo texto maravilhoso real e a gente precisa de um choque de realidade. Temos aí a Lava-Jato: é tão surreal que parece ficção, difícil de acreditar, e a novela, que é ficção, está mostrando a realidade o tempo todo. Quando perco, vejo até no Globo Play, e às vezes durmo de madrugada”.

Patricia Viera (estilista): “Adoro a Gloria Perez, ela tem a coragem que a maioria não tem, além de ser realista e atual. Ali vemos desde a perua alienada muito bem retratada pela Maria Fernanda Cândido. Trata ainda de um tema tão importante, que é a compulsão (Lilia Cabral), sei muitos que têm esse problema, e não assumem. Todos os assuntos estão ali, as pessoas comem demais, bebem demais, amam demais – é uma história com muito movimento. Mais importante é que a Gloria mostra que cada um pode ser quem quiser. O que importa é ser feliz”.

Renata Reis (assessora de imprensa): “Gloria tem uma veia de jornalista forte e ela traz às tramas coisas do nosso interesse, do nosso dia a dia. Maria Fernanda (Cândido) está espetacular e embeleza a novela; o Dan (Stulbach) é o maior ator da atualidade. Ali tem junto vício, transexualidade, tráfico de drogas e deu tudo certo. a Bibi, com aquele charme irresistível. (Ela chamou os atores pelo nome, mas a Juliana Paes, chamou de Bibi)”.

Tereza Xavier (joalheira): “A Gloria sempre alerta para questões importantes nas suas tramas, a realidade do universo do tráfico de drogas, a séria dependência do jogo, as questões de gênero, os psicopatas e traz ainda o reconhecimento e valorização do trabalho dos cães heróis. A novela é muito rica, músicas lindas, é séria, divertida e tem sido surpreendente. Parabéns, Gloria Perez”.


Enviado por: Redação
16/10/2017 - 13:30

Bibi Perigosa da vida real participa de “A Força do Querer”

Juliana Paes e Fabiana Escobar - as 'Bibis' se encontram no último capítulo da novela /Foto: Divulgação TV Globo

Juliana Paes e Fabiana Escobar – as ‘Bibis’ se encontram no último capítulo da novela / Foto: Divulgação TV Globo

Na reta final de “A Força do Querer“, Fabiana Escobar, a Bibi Perigosa da vida real que inspirou a personagem de Glória Perez, faz uma participação. A Bibi da ficção vai lançar um livro, e a Bibi da vida real vai aparecer recebendo o autógrafo. A cena foi gravada nesse sábado (14/10) e vai ao ar nesta sexta-feira (20/10), último capítulo. Vai quebrar a Internet, claro!

As duas se encontraram pessoalmente no Fantástico, dia 9 de outubro, e fizeram elogios mútuos: “Quando você vive uma personagem que já existe e que tem um livro com situações tão detalhadas da vida, desde a infância, você tem muito mais à mão. Isso é o lado bom, o bônus. O ônus é a responsabilidade muito grande de retratar uma pessoa que está viva”, disse Juliana. Fabiana viveu uma vida de luxo ao lado do marido, conhecido como o “Barão do Pó” da Rocinha.


Enviado por: Redação