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Três mulheres de profissões completamente diferentes uniram-se para criar o projeto “Ioga e câncer”, com aulas gratuitas para pessoas com a doença, no estúdio Hot Yoga One, na Barra, e Yoga One, na Gávea. A ideia surgiu de uma conversa entre Juliana Borges, dona dos estúdios, a atriz e diretora Danni Suzuki (agora com dois enes pela numerologia) – praticante de ioga e ativista social -, e uma de suas alunas, a oncologista Ana Carolina Nobre de Mello, da Clínica de Oncologia da rede D’Or. O projeto vai ganhar força através de um programa de entrevistas com as alunas/pacientes que será divulgado em canais específicos, para atingir o maior número possível de pessoas. A gravação aconteceu esta semana, com várias praticantes contando suas histórias e como a prática da ioga ajudou-as nos tratamentos.

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Como aconteceu essa história?  

Estava conversando com a Danni sobre um projeto de refugiados da Síria que iam chegar ao Brasil (a atriz está finalizando um documentário sobre crianças refugiadas de guerras pelo mundo). Recebi 80 refugiados no estúdio e, durante essa conversa, caiu a ficha de que poderia ajudar outras pessoas de alguma maneira, porque eu tenho um espaço muito bacana. Nesse momento, a Ana estava do meu lado e disse que podíamos fazer isso com pacientes com câncer. Amei a ideia e comecei na semana seguinte – na Barra, as aulas já acontecem há dois anos; na Gávea, há seis meses.

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Por que gratuito?  

Não posso querer dinheiro de uma pessoa que tem tanta preocupação neste momento tão delicado. É muito flutuante porque tem algumas que perdemos no meio do caminho, outras têm quimioterapia ou passam mal. Não aceito ex-paciente, mas as que estejam passando pelo processo de radioterapia ou quimioterapia. Tem dias em que o salão tem 12 pessoas; na outra semana, mais 12 diferentes indicadas pelo outro grupo, e assim por diante.

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Qual segmento da ioga você usa?  

Damos uma série de pavanamukhtasana, uma prática de efeitos sobre a mente e o corpo, com benefícios na manutenção da saúde, que trabalha movimentos sutis e traz resultados eficazes. “Pavan” significa purificação, principalmente no que se refere ao fluxo de ares internos do corpo, “mukta” significa libertar e “asana”, postura. São movimentos simples e fáceis de serem executados.

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Ajuda realmente?  

Estudos dizem que a ioga age na corrente sanguínea, fazendo com que a quimioterapia trabalhe mais rápido. Traz melhora de flexibilidade e força e alivia as dores musculares. Além do benefício físico, tem o mental, com a baixa de ansiedade e dos batimentos cardíacos. Os acompanhantes podem e devem fazer ioga, para que consigam ajudar com as técnicas de respiração na hora da quimioterapia ou de uma cirurgia. Sem falar que a troca de experiências entre os alunos é incrível. Tudo na pessoa muda: a autoestima, a respiração, além de elas descobrirem que são capazes de praticar um exercício físico.

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E isso mexe com você?  

Olha só, a gravação é de chorar de emoção, com relatos de como elas não vivem mais sem ioga, ou de como foi fundamental para o tratamento. Algumas que estavam carecas, e o cabelo já começou a crescer; outras, que tinham vergonha de tirar o lenço, conseguiram ficar sem. E o legal é que uma sabe o que a outra está passando, que é perder a sobrancelha, o cílio… Pais e familiares dão apoio, mas não passam pelo mesmo processo.

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Qual a intenção da gravação?  

Divulgar o projeto e despertar as pessoas para fazerem algo para os outros que precisam. Temos que ajudar de alguma maneira, qualquer causa. No meu caso, abri o meu espaço para receber esses pacientes. Mas as pessoas podem fazer qualquer coisa, como abrir o guarda-roupas e doar peças para quem precisa.

Na foto, Danni Suzuki e Juliana Borges durante a gravação do programa.

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Enviado por: Redação

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