BLOG - PÉ NA JACA | coluna da gourmet Karen Couto

16/11/2017 - 11:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: SEMAV – tudo o que você sempre quis saber e nunca perguntou!

Chefs participantes da 'Semav': Luiza Savietto, Carla Simionato, Conceição Trucom e Fátima Alves /Fotos: Reprodução

Chefs participantes da ‘Semav’: Luiza Savietto, Carla Simionato, Conceição Trucom e Fátima Alves /Fotos: Reprodução

Fico pasma como o talento de certas pessoas é completo. Fátima Alves é assim. Danada. A professora (como não amar esse ofício), terapeuta, naturista e eco-chef consegue solucionar problemas tecnológicos para viabilizar um encontro de almas e oferecer um banquete de conhecimento em conversas agradáveis que proporcionam consciência. Um talento gigante para abordar temas que nos ajudam a sair da escravidão de uma alimentação triste (que não nos traz vigor e energia – quebra de paradigmas e liberação de amarras e preconceitos com a alimentação viva e saudável) e, juntar pessoas – que tanto admiro e sempre consulto: Conceição Trucom (Doce Limão), Catia Simionato (‘Tree of Life’ do Brasil), Rita Zamberlan, Luiz Reikdal, Fernandinha do vôlei, Dra. Luiza Savietto, Kelly Lemos, Claudia Dorneles (já estivemos em vivências juntas), Keli Parayana Dasa e tantos outros. A “Semana de Alimentação Viva”, normalmente de 7 a 13 de novembro – o SEMAV – é um congresso on line e gratuito que reúne nada menos que aproximadamente oito mil inscritos em mais de 80 países, durante sete dias de evento, com pelo menos quatro palestras oficiais diárias – mais do que isso seria até difícil de absorver, dada a relevância dos temas tratados, entre eles:

. a importância da qualidade da respiração;
. a relevância da água e dos fermentados;
. jejum;
. mastigação, desintoxicação e fitoterapia;
. energia vital dos alimentos;
. plantas para melhorar o seu estado emocional;
. transição gradual para o crudivorismo;
. combinação de alimentos;
. diabetes e a importância do crudivorismo;
. doces crus sem culpa;
. vegan fitness;
. emagrecimento;
. mitos e verdades;
. Os pontos de vista holísticos da alimentação;
. e muito mais!

Gosto de ver como o congresso cresceu e evoluiu durante esses anos. A primeira vez que assisti eu ainda estava cursando pós graduação em Gastronomia Funcional na Famesp-SP e escrevendo o meu livro “Você Pode SER mais FELIZ Comendo”. Além de todos os cursos pontuais, livros e pesquisas que tive que ler e investigar, tanto o Semav quanto a “Semana da Alimentação Extraordinária”, do Flavio Passos, me ajudaram demais. Se você, como eu, prefere uma maneira mais leve e ‘ilustrativa’ de aprender, esses são dois recursos indispensáveis.

No Semav os vídeos são gravados no local onde os profissionais se encontram, em suas cozinhas, casas, seus ambientes de trabalho – o que transmite veracidade, transparência e simplicidade.

As palestras são diárias, durante sete dias. E o mais incrível é que ‘cuidam’ de você. Te enviam lembretes sem serem demasiado invasivos. E, com a inscrição no programa Premium há a possibilidade de assistir e quantas vezes quiser, no seu tempo. E um livro com diversas receitas que foram exibidas. Barato e prático.

Para meu grande orgulho e felicidade, Fátima me convidou a participar do próximo seminário. Estou ansiosa e já pensando em muita informação de qualidade para compartilhar. Aguardem!

Mais informações clique aqui! 

tarja-karen-couto

! 
  Prezados leitores, a partir desta segunda-feira (20/11), as colunas vão ser publicadas às 10h da manhã.


Enviado por: Redação
02/11/2017 - 11:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: sonhar custa pouco e alimenta a alma!

jung-chang-5

Jung Chang: chinesa best-seller mais conhecida no mundo atualmente / Foto: Reprodução do Pinterest

Onde você encontra um grande elenco, pessoas fantásticas, locais incríveis, assuntos interessantes e, quem sabe, muita comida boa e até alguns conflitos intrigantes? Acho que um bom livro é o ponto de partida!

Estes dias tive a honra de estar com a chinesa best-seller mais famosa do mundo, Jung Chang. ”Cisnes Selvagens”, seu primeiro livro, autobiográfico, que conta como foi sua experiência na Revolução Cultural (quando perdeu seu pai e a sua  avó), foi traduzido em mais de quarenta idiomas e vendeu aproximadamente 15 milhōes de cópias. Em conjunto com seu marido, o historiador Jon Halliday, durante dez anos de pesquisa, escreveu ”Mao: a história desconhecida” (ed. Companhia das Letras). Provavelmente a biografia de Mao Tsé-Tung mais consistente jamais escrita.

Seu trabalho mais recente “A Imperatriz de Ferro – A concubina que criou a China Moderna” (ed. Companhia das Letras), relata a vida da imperatriz chinesa Cixi (pronuncia-se sushi) que governou a China, pela dinastia Qing, por 47 anos. Uma mulher de garra e fibra que, mesmo tendo governado, direta ou indiretamente, através dos seus filhos, tomou várias decisões modernas, como obras de infraestrutura, abertura para relações exteriores, modernização do exército, instalação de ferrovias, dentre outras. Além disso tudo, baniu uma das tradições tidas como mais bárbaras pela escritora: a de quebrar e encolher os pés das mulheres, tradição na cultura hans.

Jung Chang não se considera uma ativista, vive em Londres há muitos anos e chama a capital inglesa de casa. Curiosa, perguntei a ela qual o prato chinês que mais sentia saudade, e a resposta foi simples e sentimental: “os dumplings* preparados pela minha avó” – estou sonhando com eles desde então.

Todos os seus livros são proibidos na China. No Brasil, não. Que sorte.

*dumplings: massas, normalmente recheadas, feitas de farinha e água. Parece uma pequena empanada cozida em caldo, água ou vapor ou fritas, servidas, normalmente, em cestas típicas.

tarja.2karencouto11


Enviado por: Redação
19/10/2017 - 11:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: Bar de Lisboa

eo4q3588

Com um menu desses, é preciso marcar com um grupo grande, para ter certeza de que todos os pratos vão ser degustados sem pressa, regados a bons vinhos, sangrias e cervejas geladas!

O chef David da Costa está preocupado em servir boa comida, simples assim – sabor sem frescuras com tradição e bom gosto.

Presunto pata negra, polvo frito com cebola e batatas calabresas, sardinha de qualidade e bem temperada, camarão ao alho, óleo e ervas. Arroz de pato, bacalhau com natas e à Brás, aquele que leva ovo, batata palha, muita salsinha e tudo mais que temos direito! Bacalhau com batatas ao murro e Açorda de bacalhau e de camarão (nunca tinha visto) – um dos meus pratos preferidos – pão, azeite e bacalhau. Croquetes, alheira – não sei se todos os brasileiros amam, mas é um embutido da região de Mirandela, à base de carne de caça, como perdiz, lebre e outras. Queijo da serra com geleia de tomate (unanimidade), ceviche de camarão e lula, cogumelos, e as minhas maiores tentações: caldinho de feijão, milanesa e rabada!!! Como resistir?

eo4q3599

Para os que querem evitar “enfiar o pé na jaca”, sugiro a salada de feijão-fradinho e atum, a de bacalhau com grãos ou a de polvo com tomate e cebola.

“Ouve lá”, não perca os clássicos mousse de chocolate, pudim de natas e quindim e, muito menos, a versão deles do petit gateau de pastel de natas: união da típica sobremesa francesa com o pastel de Belém e, ovos moles do Aveiro, herança das freiras que, como sabemos, usavam as claras para engomar as roupas e, como sobravam as gemas, inventaram diversas e irresistíveis sobremesas! Um pecado de lamber os dedos!

DROPS INFORMATIVOS:
Av. Gal. San Martin, n. 1219, Leblon
Tel.: 21 3079-9581


Enviado por: Redação
05/10/2017 - 11:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: dia das crianças com fartura

coluna-1

colagem-coluna-karen

Esse dia é, ou deveria ser, um dia muito especial para todas as crianças. Imagino que todos nós, principalmente os leitores aqui do “saite” da Lu, temos muitas lembranças agradáveis e marcantes dessa data. Um dia abençoado por Nossa Senhora da Aparecida – Padroeira divina do nosso “Brasil brasileiro“, dia do mar, dia nacional da leitura, dia do atletismo, dia do motoqueiro (um salve para todos os guerreiros motoboys), dia de descobrimento da América, dia do anjo Umabel e dia do meu aniversário!! – e, quando criança, assumo que ficava um pouco sentida, pois, como aqueles que nascem em datas especiais, como o Natal, eu só ganhava um único presente.

O fato é que, nesse dia iluminado, tem-se uma grande oportunidade de dar qualquer agrado ou brinquedinho para aquelas crianças de rua, hospitalizadas, ou que vivem em orfanatos, ou em áreas pouco favorecidas.

Como sabemos, crianças são seres ingênuos e se alegram com muito pouco. Não me esqueço de uma ocasião em que ganhei uma bicicleta (presente único para ambas as datas), quando, na verdade, estava desejando mesmo uma coleção de fofoletes, lembram-se delas? Pois é. Meu primo tinha menos condiçōes financeiras; então, dei de presente para ele a “magrelinha” e, em seguida (de tanto encher o saco de todos os parentes em volta), acabei ganhando as bonequinhas. O meu sonho era muito menos custoso que o dele, mas a alegria era do mesmo tamanho: eu, com a minha, e ele, com a dele.

Portanto, resolvi fazer uma lista de lugares onde você poderia juntar um grupo no WhatsApp, para arrecadar brinquedos, roupas ou até somas em dinheiro, transformando atos simples em gigantesca felicidade para os pequenos que não necessitam de muito para brincar, desfrutar e sonhar.

—————————————————————————————————————————————

@obradobercorj: Instituição de assistência social, sem fins lucrativos; desde 1928, desenvolve um programa socioeducativo e de proteção.

www.aobradobercorj.org.br

—————————————————————————————————————————————

@casadoriotupana: fortalecimento comunitário por meio de educação, empreendedorismo social (sem ele, nada vai para frente – vamos combinar?!), cultura (o mesmo digo) e intercâmbio de experiências (há algo mais lindo?).

www.abraceobrasil.org/pt-br/projetos/casadorio/

—————————————————————————————————————————————

@abraceobrasil: ajude a construir um Brasil melhor a cada doação! #brazilfoundation

www.abraceobrasil.org

Agradecimentos: @aresjeff @corolle @tinkaud

—————————————————————————————————————————————

tarja.2karencouto11


Enviado por: Redação
21/09/2017 - 11:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: Binka Le Breton hoje no Clube Germania

binka-le-breton

Binka Le Breton: inglesa, apaixonada pelo Brasil, faz encontro, nesta quinta-feira (21/09), na Gávea / Foto: Reprodução do Site Iracambi Atlantic Rainforest

Inglesa com jingado brasileiro, apaixonada pelo Brasil (e por caipirinha), pela Amazônia e pelos direitos humanos. Missão: Salvar as Florestas Atlânticas mineiras. Sorte do Estado de Minas, e nossa, de ter a oportunidade de estar com ela nesse encontro único no Rio de Janeiro!

Binka é ativista, ambientalista, diretora do centro de pesquisa Iracambi e autora do premiado livro “The Greatest Gift”, onde conta a história da freira americana Doroty Stang, assassinada na Amazônia, em 2005, que, em breve, vai para a telona.

Pedi a ela uma “palhinha” da palestra em que ela falou sobre alguns temas que podem nos interessar:

Biodiversidade

“A maior relevância da biodiversidade nada menos é que a continuidade da vida neste planeta, levando-se em conta que a biodiversidade é a base de toda vida e tudo sustenta. Sem diversidade, estaríamos à mercê de uma base genética reduzida, que poderia ser facilmente atingida por uma doença ou praga, que seguramente nos deixaria sem segurança alimentar. Sem biodiversidade, as florestas podem morrer, afetando drasticamente nosso clima, que já está no limite.”

Qual o Plano para a restauração florestal? E a agrofloresta?

O plano para a restauração florestal é escolher áreas prioritárias (ponto de vista de recursos naturais: água, solos, habitat para espécies ameaçadas e potencial produtivo). Precisamos de sistemas diferentes de acordo com o uso da floresta – áreas para habitat que vão ser menos impactadas podem ser reflorestadas com árvores nativas, enquanto, em outras áreas, pode-se instalar um sistema de agrofloresta de acordo com as necessidades de seres humanos, como cultivos de alimentos, fontes de renda e, até, algum pasto consorciado com árvores.

Me fala do seu livro e da Floresta Amazônica?

A mensagem mais relevante é que a morte da floresta é a morte de todos nós – visto que as florestas nos providenciam água pura, ar puro, comida, remédios, madeira e lenha, flores, frutas e fibras. A floresta também tem o papel importante de regular nosso clima, principalmente a Floresta Amazônica, que age como uma bomba hidráulica, armazenando o vapor da transpiração das árvores em forma do “rio voador” que passa por cima da floresta, atinge a cordilheira de los Andes, e traz a chuva pro Centro-Oeste e Sudeste do Brasil – justamente as áreas mais importantes para a agricultura brasileira.

Se a floresta do rio voador for cortada, corremos um grande risco – o que já aconteceu no ano 2004, trazendo enorme prejuízo e estiagens prolongadas ao Sudeste do Brasil.

A publicação do livro faz parte da divulgação, igual a documentários, vídeos e palestras. Mostra que nós, cidadãos, somos os mais capazes de fazer a diferença se unirmos forças e enfrentarmos desafios que parecem ser maiores que nós, mas que, de fato, não são. O fato é que um povo que não gosta dos políticos pode eleger outros, o consumidor que não gosta da postura ética de uma empresa pode boicotar seus produtos, podemos fazer abaixo-assinados, nos manifestar, e podemos, sim, transformar aos poucos o mundo.

A Doroty não tinha dinheiro, não tinha poder político, mas conseguiu inspirar pessoas e colegas que conhecia, assim como também chegará a inspirar tantas outras pessoas que venham a ler o livro.

DROPS INFORMATIVOS:
Salvando Florestas, Mudando Vida nas Montanhas de Minas
Quando: quinta-feira, 21 de setembro
Horário: 7:00 – 9:00 PM
Endereço: Sociedade Germania, Rua Antenor Rangel, nº 210 – Gávea
ESTACIONAMENTO GRATUITO
Investimento: apenas 20 Reais

tarja.2karencouto11


Enviado por: Redação
07/09/2017 - 11:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: ‘Tapeio’ japonês, você não gosta?

picmonkey-collage

No sentido horário: usuzukuri, que são fatias finas de atum com molho ponzu; sushi lagostins; lula grelhada com molho teryaki; dupla de Gunkan, salmão e gema de corna / Fotos: reprodução do “Site Sou Leblon”

A Rua Humberto de Campos, no Leblon, tá virando a nova Dias Ferreira. Até que enfim, poderemos variar de locação, e, se o nosso querido novelista Manoel Carlos explorar a promissora rua em sua próxima novela global, aí mesmo é que ela vai bombar.

O primeiro boteco japonês, seguramente, surgiu no Japão, há milênios – literalmente. Tempos depois, inspirados por essa rica cultura, o gênio Ferran Adrià e o também chef de cozinha Albert Raurich abriram o Dospalillos, em Barcelona (sou absolutamente louca por esse restaurante). Depois, tantos mais foram surgindo no mundo inteiro – nós agradecemos.

O nome Pabu Izakaya não é por acaso. Izakaya é, como os orientais daquele lado do mundo chamam, os “gastopubs” (pabu). Por curiosidade, Izakaya significa “ficar no saquê shop”. À época, a bebida majoritariamente consumida era o saquê – filtrados, não filtrados, doces, secos, dentre outros. Entretanto, com o sucesso atual dos whiskies japoneses, eu faria uma degustação. Juro que a ressaca, quando há, é minima.

img-pabu-izakaya-novo-buteco-japones-1132x670

A iniciativa é dos chefs Erik Nako e Cristiano Lanna, além de Eduardo Preciado do Minimok (um dos meus preferidos do Rio quando o Ohata ainda estava por lá – preciso voltar para conferir) e o chef Luiz Santos. O cardápio do Izakaya surpreende por não ter se deixado contaminar pela ocidentalização equivocada de alguns estabelecimentos, que se autodenominam restaurantes japoneses. Peixes menos triviais – buri, serra, piraúna, por exemplo – são cuidadosamente preparados, além dos clássicos atum e salmão. O porco à milanesa poderia teletransportar você a qualquer restaurante especializado em Tonkatsu, no Japão. A barriga de porco, também sugiro não deixar passar. Se você, como eu, é da turma dos sashimis, são 15 cortes de 5 variedades. Dupla de gunkan de atum com gema de codorna e sal de matcha, temaki de enguia, Usuzukuris (robalo e buri) – sou fã, gyozas, Ramen (massa fresca feita na casa), etc, etc, etc!

A carta de saquês é incapaz de deixar alguém com sede (apesar de eu ficar sedenta só de pensar). Whiskies, cervejas artesanais e drinks – confesso que não são meus prediletos, mas destaco o Osaka negroni com Shochu (destilado japonês), shoyu, além dos demais ingredientes.

O arquiteto Ricardo Guimarães acertou em cheio, ambiente agradabilíssimo com um balcão em forma de “U” que possibilita a experiência de acompanhar o belo preparo de pertinho. Outro detalhe observado: o cuidado na escolha da cerâmica onde são servidos os pratos é admirável.

E o final feliz? Tradição com sotaque nipônico: mousse de chocolate com gengibre e Shochu, pudim de Matchá, crumble e morangos! Em português bem claro, “Afe Maria”!

DROPS INFORMATIVOS
Pabu Izakaya

Rua Humberto de Campos, n. 827, Leblon, Rio de Janeiro.
Tel.: 3738-0416

tarja-karen-couto-2017


Enviado por: Redação
24/08/2017 - 11:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: É tempo de sopa, a origem da vida!

musculo-c-legumes-2

Segundo sua origem semântica no sânscrito, significa “bem (“sû”) alimentar” (“pô”), e há registros de que o seu consumo é anterior à descoberta do fogo, ou seja, um dos pratos mais antigos e consumidos do mundo.

Quando criança, eu costumava ir ao restaurante “Rian“, ao lado da casa dos meus pais, na Av. Atlântica, no Rio, tomar uma indescritível sopa de tomates. Até hoje, não sei o que poderia haver de tão especial, exceto o fato de que sopas, igualmente a alguns outros pratos e talvez mais que alguns deles, têm uma ligação estreita com a nossa infância – transmite sensação de conforto. Quem não se lembra da sopinha de músculos com legumes, da divertida sopa de macarrão de letrinhas com feijão, ou da deliciosa canja de galinha, sempre preparadas com muito amor?

A escolha da textura é livre: uns preferem batida, coada, mais líquida ou espessa, com elementos mais inteiros e até algumas surpresas – eu adoro servir com alguma iguaria no fundo do prato. Aliás, a sopa é bastante versátil, pois permite um “mix” de texturas – folhas (fibras e as verde-escuras, ótima fonte de cálcio), raízes (inhame, baroa, aipim – água na boca só de pensar), leguminosas (feijões, ervilha, grão de bico – altamente proteico), os mais variados legumes, cogumelos, carnes, aves, peixes, frutos do mar e frutos secos, ervas aromáticas e azeites aromatizados.

dscf4029

No alto, a sopa de músculo com legumes. Nesta foto, a canja de galinha / Fotos: Reprodução do Pinterest

A elaboração, podemos dizer, é bastante simples. Entretanto, como tudo na gastronomia, o que determina o resultado final é o modo de preparo e, claro, os produtos que utilizamos – o que pode encarecer um pouco esse delicioso e nutritivo prato que não tem por que ser caro para ser gostoso. Eu, por exemplo, sempre dou uma dourada nos legumes antes de acrescentar água – e, no momento que o faço, sempre fervente, recomendam os ayurvedas. Finalizo com um belo azeite e sirvo com algo crocante.

Os chineses, vietnamitas e portugueses são os campeões no consumo, e os macrobióticos não dispensam pelo menos duas sopinhas ao dia, que já preparam o intestino para o que vem em seguida, além de já promover saciedade e facilitar a digestão.

Dito isso, deixo no “ar” um tema para falarmos em outro artigo: ”Sopa Primordial” – nutrientes, gases da atmosfera primitiva, em temperaturas altas, que já alimentavam muitos organismos – a origem da vida!

DROPS INFORMATIVOS
“sopa primordial”, 1924, cientista russo Oparin, Wikimedia Commons e Stanley Miller em 1953.
Ismar de Souza Carvalho, Geologia, UFRJ.
http://blog.hola.com/farmaciameritxell/2014/01/dieta-macrobiotica.html

tarja-karen-couto-2017


Enviado por: Redação
10/08/2017 - 12:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: Toraja Bambu

20246200_1572357776130099_4758924208298070200_n

Bukit península fica no extremo sul da ilha de Bali, onde está o clife do templo de Uluwatu (significa “pedra do sul”, no idioma indonesiano) e, precisamente, a praia com o mesmo nome. Também há outras famosas opções tanto pela beleza, Thomas Beach, como para surfar, ver o surf e os surfistas (rsrs), como Balangan, Padang Padang e Bingin. Vale lembrar que, no fim de tarde, no templo, há sempre um ritual dançante imperdível e que a energia é fortíssima (redundante, em se tratando de Indonésia).

Há muitos hotéis e alguns resorts – que, realmente, precisam mudar muito a forma como lidam com o lixo e a limpeza das praias que estão em volta. Mas, o que mais chamou a minha atenção no Toraja bambu é a sensação de estar em casa e a vivência de uma experiência indonesiana com conforto. As construçōes ancestrais Tongkonan, em formato de barco, são típicas da região de Sulawesi (localizada a mais de mil quilômetros de Bali) e são as casas da população de lá, os “Torajan“. Os lençóis são de primeira qualidade (raro), há flores por todos os lados, inclusive nas camas e no serviço do Dharma Café. Os deliciosos pratos no menu do tipo ‘comfort’ food foi criado pelo competente chef local Fabian Sorlury. Pizzas e massas – inclusive sem glúten e veganas, sanduíches, sucos, smoothies e sobremesas.

Apesar de o luxo estar na simplicidade, eles basicamente nos providenciam tudo: traslado do aeroporto, aluguel de moto, passeios, yoga, massagem e contam com uma piscina de 25 metros de água salgada – muito melhor para relaxar o corpo e o espírito sem causar maiores danos ao cabelo e à pele.

Dentre os brasileiros que já estiveram por lá e que gostaram e aprovaram, destaco a chef Morena Leite, Zulu, Santiago Bebbiano (exigente hoteleiro e empreendedor proprietário dos incríveis hotel Casas Brancas e do restaurante Rocka), a modelo Herika Fernando de Noronha, Mila Monteiro e outros.

 

tarja-karen-couto-2017


Enviado por: Redação
27/07/2017 - 11:00

Pé Na Jaca, por Karen Couto: hidropônico: sim ou não?

17796559_1313396698738940_4462973346627936340_n

Sempre pensei que o sistema não fosse nada nutritivo e, de fato, não o é necessariamente. Entretanto, se há um solo pobre onde, ainda para agravar, as condições climáticas não ajudam, pode ser uma opção.

Aqui em Koh Phangan, na Tailândia, descobri esses “fazendeiros felizes”, como eles mesmos se autointitulam (o que me parece maravilhoso!), chamado “Seed to Feed Salad & Smoothie bar“, produtos frescos da hydro farm (aberta em 2015), certificados pelo Ministério da Agricultura da Tailândia. Além das delícias que eles servem no local, por funcionários pouco informados sobre a plantação mas competentes no serviço, também fornecem para alguns bares e restaurantes locais.

Fazem o sistema de hidroponia aberto. Há também o fechado, no qual a solução nutritiva é bombeada na parte superior do sistema, atingindo até as raízes, utilizando o sistema de gotejo, com utilização de substrato inerte (folhas, areia, pedras, composto natural). As plantas recebem luz solar, pouca ou nenhuma chuva, porém não são utilizados venenos químicos, e o sistema de reciclagem é bastante respeitável.

Bom, após um pouco de cultura hidropônica, vamos à parte que mais interessa, o menu: supersmoothies com coco, maçã, couve, banana, beterraba, salsa, gengibre, etc. – não necessariamente tudo junto!

Saladas crocantes com aparência espetacular (esse sistema tem essa vantagem), com flores comestíveis, frutos secos, brotos (o de girassol estava delicioso) e molhos saborosos. Eu provei a de rúcula com pimentões (não amo) e acrescentei ovos locais provenientes de galinhas criadas “livres, leves e soltas”. Certamente, quando tiver outra chance, voltarei para provar a salada com mix de cogumelos.

Os pratos quentes, em sua grande maioria, são thai, o que é muito bom. Eu pedi o camarão com vegetais ao curry vermelho. Eles têm muitas opções veganas (apesar de o tofu não ser nem orgânico, nem GMO free), mas, também, opções com salmão (nunca pensei!), frango (não orgânico, que também nunca pensei).

Apenas uma observação: eles utilizam muito plástico, tanto para embalar os materiais para entrega como os que são para viagem. O dono me confirmou que as pessoas devolvem e assim reciclam… Será?!?

As ervas dos chás eles também cultivam por lá – vale a pena. Além do café orgânico!!

seed-to-feed

No alto, a frente do restaurante, em Koh Phangan, na Tailândia; nesta foto, uma linda refeição da casa / Fotos: Reprodução Facebook Seed to Feed Salad & Smoothie e Instagram @karencoutooficial

tarja-karen-couto-2017


Enviado por: Redação
13/07/2017 - 11:00

Pé na Jaca, por Karen Couto: Settimo Cielo, o melhor italiano de Bali

screenshot_2017-07-13-11-05-51

Até agora, ainda não tinha tido o prazer de degustar massas frescas com respectivos molhos tão bem executados e tão bem servidas (160g a porção). Nhoque, linguini, papardelle – sugiro o de caranguejo e o de coelho, e o fantástico tortelloni com ricota de ovelha.

Esse restaurante, que está muito além do conceito “pasta e pizza”, que eles definem como rústico refinado – onde se percebem a sofisticação e a inovação em cada detalhe, sem esquecer absolutamente da cozinha tradicional italiana, da “mamma”, oferece pães igualmente deliciosos feitos por eles – focaccia, sourdough (massa azeda com fermentação natural, lenta que traz acidez ao pão), multigrãos, brioche e outros, manteiga deliciosa, azeite de extrema qualidade.

A extensa carta de vinhos, montada com rigor, possui exemplares da Puglia, Toscana, Sicília etc. Preço? Uma pechincha se comparados com os vinhos encontrados em Bali. Tomei um Chardonnay, Brampton 2014 (normalmente, essa uva não é nem de longe a minha preferida) – muito interessante, com sabor levemente defumado e longo em boca. Acidez perfeita.

As entradas irretocáveis: mozzarella, burrata com tomate, brotos e molho pesto de rúcula, o vitelo tonado (molho equilibrado – muitas vezes, os restaurantes pecam por ausência ou excesso de sabor) com alcaparras extremamente crocantes me surpreenderam, carpaccio de carne Angus, cogumelos marinados no balsâmico, pinoli e tempero na medida correta. Bresaola e Stracciatella, atum com alcaparras fritas (nunca tinha provado), carpaccio de peixe com alcachofras, arancinis (bolinhos de risoto) e muitas outras.

Pizzas e risotos, saladas, carnes (frango, ovelha, ossobuco e bisteca à milanesa…), peixes. Enfim, um parque de diversōes para quem gosta de comer bem e se lambuzar. Meu caso.

Como todos já sabem, drinks não são meu forte, mas sugiro provar o Dry Martini de café.

Para finalizar, as sobremesas, todas incríveis, que valem esquecer que dieta existe: tiramissu, tortas de limão e de maçã, mousse de chocolate – gostosa, aerada, cremosa e com chocolate de qualidade, e o semifreddo de caramelo, que é algo de outra galáxia!

O menu foi criado e concebido pelo premiado jovem chef de cozinha Nicolas Lazzaroni (28 anos, autodidata, filho de mãe francesa e pai italiano) e por um dos proprietários – o experiente Federico Soccio. A execução está por conta do chef Roberto.

Único risco? Acordar com desejo de voltar e comer tudo de novo e mais… muito mais!

tarja-karen-couto-2017

Enviado por: Redação
Página 1 de 181234510Última »