BLOG - EM CASA, por Marcia Müller

28/01/2014 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: Revestimento em madeira

Muitas vezes, associamos a madeira a um lugar corporativo, um escritório,  ou a um lugar mais quente, ideal para um clima de montanha, etc…

Eu não concordo com nada disso; gosto de usar a madeira em todos os cômodos, além de ficar sempre bem na casa tropical. No Brasil, temos madeiras lindas, com tons e veios incríveis.

Forrar um ambiente com madeira dá elegância e, ao mesmo tempo, uma sensação de acolhimento.

Eu amo o tom e o desenho da peroba do campo, mas essa madeira está em extinção; portanto, usá-la requer todo um conhecimento da sua procedência.

Existem inúmeras formas conscientes de usar a madeira: usar a folha (folheado), madeira de demolição, madeiras com selo verde e, por último, madeiras tipo compensado ou MDF (restos de madeiras prensados). MDF e compensado ficam ótimos pintados!

Mas nada se compara a usar a madeira natural – e na sua cor real.

Eu, pessoalmente, detesto brilho; uso a madeira mais fosca possível nos meus projetos, porém, todas com cera semi-brilho. A cera conserva e dá um acabamento muito bom.

Algumas madeiras precisam de um selador e um tonalizante tipo um verniz; nesses casos, peço sempre o mais fosco.

Para mim, o importante é a madeira, esse material lindo e nobre, aparecer em toda sua gloria! Simples e natural…

Mostro alguns apartamentos em que projetei porta de correr em uma grande extensão, toda em madeira; outro, com um painel pivotante em madeira de demolição com uma policromia também antiga, vinda do desmonte de uma fazenda.

A madeira é como um bom vinho: quanto mais o tempo passa, mais linda ela fica – se bem conservada, claro !

Sobre MARCIA MÜLLER: Com um estilo que valoriza o jeito de ser do dono da casa – acima de qualquer tendência -, Marcia Müller é um grande nome da arquitetura no Brasil. Toda semana, ela traz para o ‘saite’ um pouco do seu talento em 20 anos de experiência, com dicas para deixar os ambientes mais bonitos.


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21/01/2014 - 18:45

Em casa, por Marcia Müller: Deck de madeira…

Existem, hoje,  milhares de ofertas para decks de madeira ou plástico, para exterior ou interior. Eu, pessoalmente, amo deck de madeira; acho que dá um charme todo especial à casa.

Gosto de usar do interior ao exterior da casa. Prefiro quando podemos dar uma continuidade do lado de dentro para fora. No interior, sem abertura, preenchido com madeira de outra cor, seguindo para o exterior, com a abertura. Acho muito lindo quando o mesmo piso segue para fora da casa, até o jardim. Isso dá uma elegância e uma profundidade incríveis à casa!

Gosto muito de usar a madeira e prefiro sempre a natural ao material sintético; porém, existem decks de plástico, feitos com material reciclado, que substituem em resistência e manutenção a madeira natural.

Para usar a madeira, em primeiro lugar é preciso querer e amar. Madeira dá muito mais trabalho para a manutenção e é mais cara, mas vale a pena!

Prefiro sempre usar um material natural a qualquer outro que o imite. Gosto de azulejo com cara de azulejo, madeira com cara de madeira e com cor de madeira, e assim por diante.

Se, por questões de manutenção, você não quiser usar a madeira, use qualquer outro material que não imite nada; é sempre mais elegante.

Mas pode ter certeza que um deck de madeira ou um piso de madeira no quarto, sala, banheiro é sempre muito bom, e o contato com esse material é uma delicia.

Algumas madeiras parecem ter a textura de uma seda ao tocá-las, de tão bem trabalhadas e macias.

Mostro algumas situações em que usei o deck para o conforto, charme e elegância da casa.


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14/01/2014 - 18:30

Em casa, por Marcia Müller: Fendi, concreto, cinza & verde …

Quando me pedem que pinte uma parede na cor “fendi”, acho engraçado. Fendi é uma marca italiana (de Roma), de acessórios, selaria e roupas, fundada nos anos 30. Até hoje, um supersucesso!

A associação com a cor deve-se ao uso quase inédito, na época, dessa cor, que é marca registrada da Fendi até hoje.

A cor pode ser chamada também de concreto ou cinza-esverdeado.

Eu amo essa cor – combina com tudo e tem um poder transformador de tornar um ambiente sem graça em um outro, superelegante.

Gosto muito de usá-la nas paredes e na marcenaria. Quando não se pode ter a marcenaria por motivos econômicos, ou uma madeira bonita, ou um acabamento perfeito, sugiro sempre pintar na cor “fendi” – resolve muito bem.

Com branco, essa cor fica linda. Gosto muito da fachada de uma casa dessa cor com as esquadrias brancas. Com azul-hortênsia, fica lindo também; enfim, uma cor superversátil, elegante e atemporal…

Vamos deixar sempre a moda para as lojas de roupas e acessórios; na casa, a moda é você quem dita. Se você gosta, está super na moda!

Em casa, glamour é combinar com seu estilo de vida!

Mostro um escritório onde coloquei paredes, livros (forrados e catalogados) e estofado, todos em fendi – elegante e leve ao mesmo tempo!


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07/01/2014 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: Azul e branco

Considero essa combinação perfeita, leve e fantástica para uma cidade tropical.

Nesse verão escaldante, para mim, o azul é a cor mais refrescante, além de ser linda!

A combinação azul e branco é maravilhosa, e as inúmeras tonalidades de azul ficam todas superbem com o branco.

Uso azul nos estofados, mobiliário, na parede e em tudo na casa.

Adoro os azulejos portugueses antigos lindos e os tons de azul que vão desde hortênsia até o azul- escuro.

Atualmente, a Colortil está fazendo lindos azulejos nos tons dos azulejos portugueses, em floral ou nas estampas antigas portuguesas.

E, é claro, muitos com preços bem mais em conta que os antigos portugueses originais que vinham do Porto para as igrejas , capelas, ou casas do Brasil colonial.

O azul, mesmo escuro, continua leve e é sempre associado a uma situação náutica.

Para mim, elegante mesmo é ter uma casa em frente à praia, toda azul e branca!

Mostro alguns projetos onde usei o azul-hortênsia em uma estante pivotante, azul-escuro em um quarto nas paredes, azulejos portugueses como quadros e, finalmente, em um estofado no tom de azul-jeans …

Amo todos igualmente!


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31/12/2013 - 18:00

Em casa, por Marcia Müller: Segunda pele

Apesar de estarmos no verão – aliás, de vivermos no verão -, usar pele é sempre muito interessante.

Desculpem-me os ecológicos, mas a pele é um resultado real antes da industrialização do couro.

Eu gosto muito de usar pele em várias situações: desde a forração até jogada em cima de um pufe ou sofá.

Adoro pele no chão, em frente à praia, ou na montanha, onde sempre dá um charme a mais – direto no chão ou em cima de um tapete de sisal.

A pele dá um ar de despojamento com elegância, sem falar que é super-resistente.

Um tapete de pele dura infinitamente mais que um de sisal. Apesar de adorar o sisal, é importante sempre conservá-lo com um cuidado maior que a pele.

A loja Empório Beraldin tem um coleção deslumbrante, de vários tamanhos e cores.

Quando vemos um pequeno tapete, podemos até pensar que foi de um novilho abatido etc… Porém, quando usamos um couro, nem sua procedência temos.

Gosto de lojas que trabalham direto com frigoríficos sérios, onde o abate segue todas as exigências. E a Beraldin é uma dessas lojas.

Usar pele exige um critério de escolha da loja que a vende. Quando se trata de qualquer material orgânico, gosto de saber de todo o processo até a sua venda.

Contudo, o uso pode e deve ser bem livre, de acordo com o estilo da sua casa.

Mostro alguns projetos de praia e montanha nos quais o uso da pele deu o mesmo charme e elegância .


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24/12/2013 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: Feliz Natal, com casa arrumada!

Nessa época do ano trabalho muito e todos querem a casa linda arrumada e terminada! A obra acabada e todos os detalhes prontos. Passar o Natal na casa arrumada com a família é muito muito bom! Achei um texto do Carlos Drummond de Andrade sobre a casa arrumada. Coloco para vocês desejando um lindo Natal numa casa igualmente linda e feliz ao estilo desse texto.

“Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.”



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17/12/2013 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: Cômoda!

Substituta do baú, a cômoda surgiu para organizar mais aquilo que se guarda.

Mais tarde, apesar dos armários fazerem essa função tão bem, pois tudo pendurado é tão mais prático e visível…

Ainda usamos muito a cômoda não só para guardar como também para aproveitar o seu design e compor a casa.

Uma cômoda antiga dá sempre um toque na casa, principalmente se essa casa for supermoderna!

Antigamente, as cômodas tinham tanto status que eram dadas como presente em casamentos de grandes famílias. Os marceneiros eram considerados artistas, e as cômodas seguiam todas as tendências da época.

Podemos saber a época de uma cômoda original pelo seu desenho e sua execução.

Adoro as cômodas onde mal se usavam pregos e tudo era feito em madeira. Essa técnica é usada até hoje, e existem verdadeiras obras de arte em madeira.

Mostro projetos meus onde usei cômodas lindas, como essa da Entreposto!


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10/12/2013 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: Mania de insetos…

Bem, agora, até na culinária, os insetos estão em alta!

Na arrumação da casa em tecidos pintados na parede ou estampados no papel de parede, insetos dão um charme!

Eu, particularmente, adoro, e amo libélulas.

O nome já é lindo, e a forma eu acho encantadora.

Coloco libélulas em tudo que posso: vai desde cúpulas de abajur, paredes, até nos tecidos.

Considero insetos, tais como a libélula, formas extremamente femininas e, quando usadas, dão um toque assim para a casa.

Borboletas também estampadas no tecido são superfemininas e ficam lindas.

As formas arquitetônicas dos insetos sempre me encantaram – delicadas e leves. Mostro a minha mania de libélulas; coloquei muitas delas nas paredes, cúpulas, até na minha logo. A Manu Müller, que também adora, abusou das libélulas no projeto da sala, pintando libélulas no biombo.

Dominique Jardy, artista plástica francesa, mas muito brasileira porque já vive aqui há muitos anos , faz divinas libélulas, abelhas, borboletas e outros lindos insetos nas paredes das casas, tornando-as leves e elegantes.

A mania de insetos agora pode estar na moda, mas, na Belle Époque (1900), nos abajures Tiffany, por exemplo, eternizaram-se nas cúpulas como verdadeiras joias. Assim como todos os grandes artesões da época, ali os insetos viraram vedetes e suas formas anatômicas, arte.

Hoje, de uma forma bem menos exagerada, eles dão sempre um toque de graça e leveza.


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03/12/2013 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: quando a cor explode!

Sempre olho os quadros da Beatriz Milhazes e imagino as cores: cada qual com um som, um cheiro, uma personalidade… Vejo em cada cor verdadeiras entidades únicas e distintas, além de uma brasilidade incrível. Enfim, essa é a minha visão… E, também, para cada uma, nova sensação. Adoro esse sentimento que a arte provoca.

Mostro alguns projetos meus onde alguns privilegiados puderam possuir essas lindas obras. Uns, porque puderam; outros, porque se apaixonaram e preferiram ter um quadro e deixar de ter outras coisas.

Comprar uma obra de arte passa por esses caminhos, muitas vezes apenas pelo investimento; mas, na maioria das vezes, pela paixão.

Comprar arte envolve desejo e afinidade, quase como uma relação afetiva. Não é um simples ato de aquisição!

Quando um cliente pergunta-me sobre obra de arte, indico apenas galerias em que confio, colecionadores ou amigos que entendem muito de arte e que são procurados por pessoas que querem revender ou trocar suas obras.

No universo dos colecionadores, troca e revenda de arte são muito comuns.

Considero até deselegante, como arquiteta, influenciar na compra de uma obra de arte, pois considero essa relação arte x comprador um ato pessoal e intransferível .

No entanto, amo colocar essas lindas obras nas casas prontas e ver como elas, com personalidades incrivelmente fortes, relacionam-se no espaço que projetei.

É sempre uma surpresa feliz, alegre e colorida, que mostro em diferentes ambientes: uma sala de jantar, uma sala de estar, um quarto e um escritório.

Escolhidas com paixão, relacionam-se com o projeto que desenvolvi, como se fossem feitas para aquele local!


Enviado por: Redação
26/11/2013 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: vestindo a casa

Eu amo tecido, industrializados, pintados a mão… Tudo que envolve esse material veste e dá contorno.

Vestir a casa com tecido personaliza seu estilo; cada tipo de textura molda-se ao seu olhar, e a casa fica completa.

Quando chegam as cortinas, a casa está literalmente vestida!

Na escolha dos tecidos, o importante é saber qual tipo de conceito você deseja para sua casa: moderno, clássico, ecológico (sim, existem tecidos e couros ecológicos), neutro, rústico, enfim, uma infinidade de opções vão surgir para você. E essa escolha é sua, junto com o estilo escolhido para sua casa.

Eu, pessoalmente, adoro os tecidos pintados a mão pela Mucki. Outra escolha excelente são os tecidos da coleção da loja Orlean, todos lindos. E, em São Paulo, gosto muito da coleção da Entreposto.

Essas duas opções, Mucki e Orlean, além dos lindos materiais, oferecem também a confecção das cortinas – item superimportante para que o tecido seja corretamente usado e bem aproveitado, pois, sem uma boa execução, o tecido, por mais bem escolhido, desaparece.

Adoro cortinas com ponto “ajour”, bainha aberta, pregas, bordadas e com aplicações de gorgurão, couro ou outro tecido. Enfim, para cada local da casa, existem inúmeras possibilidades e opções, todas lindas; mas, sem a boa escolha de um material apropriado e sem uma execução primorosa (como um vestido malfeito que não cai bem), a cortina, em vez de valorizar a casa, desvaloriza e a veste mal.

A arte de fazer uma cortina assemelha-se, em muito, à arte de fazer uma roupa!

Uma pessoa bem vestida = casa bem vestida.

Mostro meus projetos com tecidos da Mucki e tecidos da Entreposto (coleção Orlean) – execução impecável das duas fornecedoras amigas e parceiras.


Enviado por: Redação