BLOG - EM CASA, por Marcia Müller

23/02/2016 - 20:30

Em casa, por Marcia Muller: estética japonesa

colagem marcia muller

Hoje vamos falar da estética japonesa, um conceito de arquitetura e decoração que é tão extenso quanto sua própria cultura. Tudo no Japão passa pela tradição, e uma delas é o amor pela natureza e tudo que vem dela. Por isso, o uso da madeira e dos tons naturais é a base da ambientação japonesa.

O minimalismo, tão falado atualmente, já era usado no Japão há milhões de anos. Pode-se dizer que o minimalismo é o conceito maior da estética japonesa.

A arquitetura japonesa é a minha grande fonte de inspiração, os detalhes, a simplicidade, os telhados, enfim, tudo é extremamente harmônico e simples.

O tatami é outro elemento típico dessa ambientação, e a geometria das marcações dessa palha prensada é um charme total – sem falar na leveza e na delicadeza, objetivo fundamental em todos os objetos dessa estética. Tudo é feito para proporcionar paz equilíbrio e contemplação.

Além de essa leveza ser um oásis para o nosso corre-corre diário, o Japão, por ter verão quente e úmido, desenvolveu soluções maravilhosas que podemos reproduzir aqui no Brasil: materiais simples e muita madeira. A mobilidade e a multifuncionalidade dos espaços com os painéis removíveis é outra modernidade milenar da casa japonesa

No Japão, a regra básica é a “harmonia” com o que já existe. Afinal, se qualquer objeto, ou mesmo uma construção, for ocupar um lugar no espaço, que isso faça uma diferença para o bem e para o belo.

A natureza já nos presenteou com tanta beleza que o que criarmos deve somar, e não agredir. Em resumo, a arquitetura, a decoração e a arte japonesa se resumem a uma palavra: elegância.

Mostro a vocês lindos exemplos dessa ambientação.

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
16/02/2016 - 19:00

Em casa, por Marcia Muller: cobre

PicMonkey Collage

O cobre foi o primeiro metal usado pelo homem, substituindo a pedra. Foi o responsável pelo pulo da nossa cultura: saímos da idade da pedra e entramos na idade do metal. Graças ao cobre, grandes avanços foram feitos. E a utilização em larga escala desse metal lindo e elegante foi iniciada pelos persas. Na construção civil, o cobre é usado quase sempre em misturas com outros metais, ou puro. Seu alto poder de resistência, durabilidade e maleabilidade facilita incrivelmente o seu uso.

Além de nos ter acompanhado em todas as fases da nossa evolução, o cobre, como material bruto, mantém tanto novo, quanto antigo, uma caraterística única: ele modifica sua cor e aspecto sem perder a resistência e, em todas as fases, não deixa de ser lindo, nas diferentes cores em que vai se transformando. O cobre envelhecido tem belas cores – vai do verde ao verde-azulado.

Para nós, aqui nos trópicos e perto do mar, o cobre é maravilhoso pela sua alta resistência à corrosão. Esse metal, mesmo exposto à maresia, resiste superbem e segue mudando de cores, lindamente, com o tempo. Alguns materiais viajam conosco na evolução da nossa vida, moradia e sociedade. Alguns vão e passam com a moda, tendência, etc; outros vieram para ficar – assim é o cobre.

Atualmente um pouco mais valorizado, vem sendo utilizado em lindas peças de design. Infelizmente, seu custo é alto, único e real, inconveniente para o seu uso. Porque todo o resto é maravilhoso. No entanto, existem os cobres misturados com outros materiais não tão nobres; dessa forma, diminuem bem o custo final. Mesmo assim, em misturas com outros metais, o cobre predomina, e a cor inconfundível e linda permanece.

Vale a pena usar esse material sempre que der. Dentro de casa ele é um charme a mais e um elemento de elegância eterna.

Como algumas pessoas, construções, casas, obras de arte, livros e poemas resistem ao tempo e vão melhorando com ele, assim é o cobre… Amo esse material e mostro lindas formas contemporâneas de utilizá-lo!

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
09/02/2016 - 19:00

Em casa, por Marcia Muller: pátio interno

colagem mnarcia

Também conhecido como “Atruim”, o pátio interno surgiu nas casas gregas e romanas; um espaço interno central. Geralmente, naquela época, a maioria era aberta, sem teto, e muitos eram com fontes e jardins, serviam como um hall de distribuição para os outros ambientes da casa.

Os grandes arquitetos da nossa época dizem que a beleza da arquitetura não está no volume ou no partido arquitetônico, mas na sutileza dos detalhes. Concordo e acho que o pátio interno faz toda essa diferença. Não só porque realmente é sutil e intimista, mas também porque agrega a casa um local para ventilação, e a possibilidade de um jardim.

Para mim uma casa linda é ventilada e tem jardim. Não existe nada feio na arquitetura que não melhore com um jardim. Um jardim serve para embelezar e para disfarçar o que não deu certo.

O pátio interno, além dessas funções práticas, funciona como uma vírgula, por exemplo, numa frase extensa. Ele dá um espaço para respiração a uma construção contínua. Atenua o excesso de área construída num terreno pequeno, ou em uma casa grande. Além de super charmoso em qualquer conceito arquitetônico.
Nossa casa tropical ama e agradece cada espaço destinado a um jardim ou a ventilação natural.

Com um pequeno espaço aberto e sem cobertura, os resultados são enormes para o interior de uma casa. Essa troca de ar interno com externo é um luxo.

Quando nós, arquitetos, projetamos, nossa cabeça fica tão ligada a tantas possibilidades e elas a adequação dos sonhos dos clientes. Mas sempre buscamos incluir a beleza dos detalhes a sutileza que existe em situações inesperadas.

O pátio interno da essa possibilidade, um espaço sutil funciona como uma interrupção na construção, e proporciona leveza para arquitetura. Mas principalmente para quem mora o pátio interno da conforto, bem estar e frescor.

Mostro pátios internos que eu acho lindos, e que fazem toda diferença para a casa se tornar muito mais interessante!

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
02/02/2016 - 20:00

Em casa, por Marcia Muller: estampa animal

colagem Marcia Mulle

Há quem deteste estampa imitando pele de bicho, como de zebra e onça, por exemplo. Muitos clássicos admitem ser cafona, e não ousam usar um vestido com estampa de onça de forma nenhuma. Eu discordo, acho estampa de animal em casa, dependendo do uso, super elegante. Várias casas clássicas e bem no estilo inglês atemporal usam couro com estampa animal, e de uma forma extremamente harmônica. Concordo que em casas de praia usar estampa animal não é muito apropriado, nem elegante, mas usar tecidos temáticos é tão cafona quanto. Por exemplo, estando na praia, peixes, estando no campo, bichos do campo. O obvio é muito previsível e por isso nada criativo!

Eu gosto de estampa floral para praia, no campo ou na cidade, e acho couro com estampa animal lindo para cidades e campo. Mas na verdade, sabendo usar estampa e saber mistura-las é uma arte que, com harmonia, fica linda. Na verdade, qualquer erro com estampa é fatal, ainda mais se é uma estampa de pele de animal.

Nas casas contemporâneas e modernas, o couro vegetal e a estampa animal em tecidos tem o seu lugar. Não só pelo estilo, mas muito mais pelo lado ecológico, usar tecidos com estampas clássicas reeditadas geralmente é muito mais interessante do que utilizar o comum do momento. Tudo que seja necessário ousadia e personalidade, eu adoro ainda mais. Para usar tecido com estampa animal em casa é preciso ter segurança e não ser nada óbvio.

Acima de tudo, se você souber usar com harmonia e elegância e tiver ao se lado um profissional que te encoraje a ter essa ousadia, o resultado, com certeza, será ótimo.
Casa ousada, elegante e fora do comum encanta muito mais! Mostro lindos exemplos de estampa animal.

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
26/01/2016 - 20:00

Em casa, por Marcia Müller: biombos

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Também conhecidos como “para vento” ou “paravent”, em francês, o biombo sempre esteve associado pela forma prática, e muito conhecida na Europa, de cortar a corrente de vento em casa. Daí o nome…

Corrente de vento nos países do hemisfério norte eram, nos séculos XVII, XXVIII e XIX, a única responsável por quase todas as doenças. Existem pessoas que, até hoje, detestam o vento dentro de casa, ou fora dela. Nessa época o biombo era utilizado, sobre tudo, para essa função. Isso sem falar da China, aonde o Biombo era usado para proteger, disfarçar, além de contar histórias como um livro mesmo.
Lá, o Biombo se tornou um simbolo de status.

O biombo também tem seu uso super intenso nos quartos e banheiros. Essa utilização é super sensual. Trocar de roupa atrás de um biombo é um charme total.

Biombo da uma atmosfera de mistério e de profundidade para um espaço, além de sua forma maleável, que o torna tão especial e elegante dentro de casa. Muitos designers desenharam e desenham lindos biombos com formas e acabamentos criativos, e com os mais incríveis materiais de acabamento.

Em climas quentes ou frios, o biombo pode ser usado para desempenhar inúmeras funções e situações. Eu adoro usar biombo em hall de entrada , da um proteção sem ser pesada e sem ser um objeto fixo.

Prefiro usar em casa tudo que for solto e fácil de ser reciclado. Afinal, tudo que é fixo em termos de decoração se torna cansativo depois de algum tempo. Poder mudar a nossa casa de acordo com nosso olhar em diferentes fases da nossa vida é bem mais confortável. A liberdade que os móveis e objetos soltos promovem é tudo de bom! Um dos motivos que me fazem adorar usar um biombo em casa.

Mostro lindos biombos para vocês!

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
19/01/2016 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: subir com graça

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Dentro de uma casa, a escada é um dos elementos mas interessantes do projeto. Escada é uma escultura que se enquadra no partido arquitetônico da casa; ela dialoga com o interior e o exterior da arquitetura. Isso sem falar que podemos dar a esse elemento aspectos divertidos e lúdicos, alinhados à técnica de projetar uma escada.

Existem arquitetos que amam projetar escadas e são verdadeiros especialistas, somando conforto, harmonia e elegância. O grande arquiteto Lúcio Costa tinha o maior orgulho de dizer que foi ele quem projetou as escadas de acesso à Igreja da Gloria. E é realmente linda, toda em pedra com patamares impecavelmente dispostos a gerar um conforto para quem está subindo.

Toda escada é acompanhada de um jardim tropical. Acho deslumbrante e perfeita. Dentro de casa, por que não abusar do conceito da escada escultura, ou até mesmo dar um ar de obra de arte a ela? Fazer da escada um elemento diferenciado traz para sua casa personalidade e alegria. Isso sem falar do incrível poder que a criatividade traz para nossa moradia. Poder de diferenciar, divertir-se e de marcar a sua casa com o que o/a emociona.

Datada, moderna, contemporânea, clássica… Pouco importa, se é a que faz você sentir-se bem. Nos tempos do Google, todas as informações e possibilidades são acessíveis, use e abuse do que gosta!

A escada é um desses elementos que podemos dar asas a nossa imaginação. Mostro alguns exemplos de que gosto muito.

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
12/01/2016 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: sem arquitetura

colagem marcia muller

Quando falta um projeto de arquitetura, mas não falta harmonia e elegância, geralmente eu gosto. Às vezes, menos arquitetura do arquiteto e mais o que as pessoas comuns acham da arquitetura e da moradia, me interessam muito. Nessas casas criadas a partir de impulsos culturais individuais, contemplar essa beleza espontânea é, para mim, um privilégio.

Sendo arquiteta, ver a arquitetura ser esculpida através desses impulsos pessoais, através dos tempos, é fundamental para o meu trabalho. Através da arquitetura sempre pergunto: o que eles estão pensando?

Saber o que estão pensando é mais importante do que as tendências que a arquitetura contemporânea expõe. Saber quais são as motivações e desejos desses moradores é superimportante para os novos caminhos da arquitetura do futuro.

A arquitetura começou de forma superdemocrática e orgânica, através do conceito pessoal de um grupo sobre a moradia. Fugir muito dessa ideia inicial, isola a arquitetura da sua raiz e da sua função. A arquitetura rural é um exemplo dessa incrível arquitetura espontânea.

Mostro lindos exemplos dessas construções lúdicas, elegantes… e reais!

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
05/01/2016 - 20:00

Em casa, por Marcia Müller: cocheiras

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Esses animais sempre nos fascinaram. Primeiro, pela sua liberdade de movimentação e, durante muito tempo, pela sua funcionalidade. Nunca deixamos de amá-los, nem deixamos de tê-los por perto.

Esportes ligados a cavalo estão associados a elegância, charme e sofisticação; é difícil dissociar um esporte com cavalo dessas palavras meio chavão mesmo. Então, cocheiras para cavalo, muitas vezes, são incrivelmente lindas e, em grande parte delas, reproduzimos algumas soluções desse espaço para dentro de casa. Isso sem falar nas incríveis cocheiras para os cavalos especiais, aqueles que ganham prêmios e invadem seus criadores de orgulho. Para esses cavalos, a cocheira é superdiferenciada mesmo! Não posso esquecer a cocheira da égua ganhadora de incríveis prêmios do haras Guanabara: o espaço era sensacional.

A relação entre a cocheira e o cavalo é igual ao carinho que se tem por ele. Falar desses espaços temáticos é sempre divertido. Mesmo quando falta arquitetura, técnica e a espontaneidade de quem elabora esses espaços baseados apenas no conhecimento empírico de anos das necessidades básicas desses lindos animais, ainda assim, eu gosto muito.

Talvez eu até goste mais daquelas cocheiras rústicas, rurais, onde um simples e elegante telhado com um beiral proporcional serve para colocar os animais separados apenas por estruturas de madeira. Aqueles simples currais mas completamente autênticos e originais.

Mostro lindos estábulos: dos altamente arquitetônicos aos originalmente rústicos e empíricos.

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
29/12/2015 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: casas do futuro

Colagem Marcia Müller

Às vésperas do novo ano, é impossível não deixar de pensar no futuro. E, nesse caso, no futuro da casa, quais os caminhos. A casa, essa viajante do tempo, tem nos acompanhado como abrigo através de eras. Qual será seu papel num mundo tão populoso, nos grandes centros urbanos, nos espaços apertados e nas diversas camadas sociais?

Como será a dimensão social da arquitetura e onde se situará a moradia? As perguntas não param, e as respostas, nem mesmo para os teóricos e pensadores da arquitetura, são possíveis de ser ditas com certeza. É por isso mesmo que pensar sobre novos caminhos torna-se tão interessante. Para alguns, a ecologia, junto com a sustentabilidade e somada a novas fontes de energia natural, é o único caminho possível. Também acredito nisso com certeza! Mas a casa, como espaço público, é uma opção para os centros urbanos. A ocupação do homem não será apenas na moradia privada, mas também nos espaços externos.

“Eu ocupo”: um forte pensamento da moradia do futuro. Os espaços públicos terão que ser repensados e adaptados para esse homem urbano do futuro. Ele ocupa e se relaciona com espaços fora e dentro de casa. Na verdade, nós e a nossa casa somos “viajantes do tempo”, evoluímos juntos, enfrentando novos desafios e novas ideias. Nossa participação nesse espaço jamais deixou de ser íntima e constante. Sem a moradia, não temos referência, incluindo que a casa tem total importância para a formação de uma sociedade saudável.

Pensar sobre a casa do futuro, novos caminhos, é urgente. Através desse pensamento, podemos criar conceitos para uma sociedade justa e harmônica num planeta extremamente populoso. Nós, no Brasil, infelizmente não elaboramos políticas habitacionais projetadas pro futuro. Nós e a natureza pagamos caro por isso.

Quando chega o fim do ano, esse balanço de erros e acertos torna-se o assunto. Infelizmente! Deveríamos planejar e pensar o futuro antes, muito antes de ele chegar.

Termino com um lindo provérbio chinês: “Se planejamos para daqui a um ano, plantamos arroz; se planejamos para daqui a dez anos, plantamos uma árvore; se planejamos para daqui a 100 anos, preparamos pessoas.”

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação
22/12/2015 - 19:00

Em casa, por Marcia Müller: cozinha

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Há muito tempo atrás, as primeiras casas começavam pela cozinha, que na verdade era o único espaço desse lar primitivo. Ainda na casa contemporânea, a cozinha exerce um papel de importância vital. Ela é a alma da casa, nela se conhecem os hábitos, atitudes e gostos de quem mora naquele espaço.

Para quem ama casa e nem mesmo gosta de cozinhar, até para essas pessoas, a cozinha exerce fascínio e atenção. Eu particularmente amo cozinha, amo cozinhar e adoro receber para almoço ou jantar em uma cozinha integrada na sala.

Para as cozinhas modernas, hoje em dia, o céu é o limite. Inúmeras e geniais opções para materiais, formatos e desenhos. Nessa época do ano, que receber em casa é tudo de bom, a cozinha convidativa, charmosa e generosa torna tudo isso uma delicia total. Nas cozinhas com mais espaço, podemos ter uma ilha, ou para cozinhar, ou para apenas armazenar, lavar ou simplesmente fazer o fluxo desse espaço ao redor da ilha, é lindo. As ilhas no centro das cozinhas dão principalmente uma arrumação no espaço, fazendo com que o movimento da cozinha fique muito mais prático.

A funcionalidade em uma cozinha é fundamental. A praticidade faz com que os amantes da arte de cozinhar se sintam como um pintor num atelier luminoso e perfeito. Cozinhar é umas das artes mais generosas que conheço. Geralmente quem cozinha ou ensina através de receitas incríveis pratos, sente prazer em oferecer aos outros sua obra de arte, muito mais do que saborear-la.

Cozinhar nunca é apenas para quem cozinha, sempre é para outras ou outra pessoa. Para essas pessoas tão especais dedico nosso texto de hoje com lindas ilhas em cozinhas divinas. E que no Natal muitas desses artistas encontrem nas suas cozinhas conforto e bem estar, além de coragem para novos projetos, incluindo uma nova e maravilhosa cozinha a altura da sua arte.

tarja.marciamuller


Enviado por: Redação