BLOG - TEATRO, por Claudia Chaves

13/07/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Ícaro and the Black Stars”

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É um pássaro? É um avião? É o Super-Homem? Não, é Ícaro Silva, o ator que viveu Simonal no musical, com um figurino que mistura uma roupa futurista  de astronauta, duas asas, cantando, dançando e envolvendo a plateia com um roteiro do melhor da black-music de todos os tempos no show/musical Ícaro and the Black Stars, em cartaz no Teatro XP Investimentos.

Com dramaturgia e direção de Pedro Brício e direção musical de Alexandre Elias, Icaro Silva, com as cantoras/atrizes Hananza e Luci Salutes,  transformam o palco em uma nave que passeia no tempo e nos espaços, sem pretender contar a história da black music ou fazer um didatismo sobre o significado desses astros a partir da segunda metade do século passado.

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 “Sempre quis produzir um espetáculo de black-music, pois essa era a minha base  quando era DJ. E quando esse mesmo grupo, eu, Ícaro, Pedro, Alexandre, estava fazendo o Show do Simonal, pensei em dar mais um passo. Fazer um espetáculo que misturasse música, vídeo, história, que fosse mais do que um show, mas com a dimensão teatral de construção de personagens e de construir uma narrativa. Aqui chegamos”, diz Caio Bucker, o produtor.

Com um telão com imagens com a mesma estética dos antigos seriados como Flash Gordon, o espetáculo consegue um fato raro: as letras das músicas funcionam para o que se diz naquele momento, a história pessoal do ator, o movimento black nos Estados Unidos. Dessa forma, consegue construir , além da super interação com a plateia, pela excelente qualidade musical, mas também, de quebra, ainda mostrar como  o talento ainda é o melhor para se apreciar em qualquer tempo.

Serviço:
Teatro XP investimentos
Sextas e sábados. às 21h
Domingos, às 20h

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Enviado por: Redação
06/07/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Naitsu”

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“Sonhar com rei dá leão”. Tive um sonho, um pressentimento. Meu maior sonho é ver o Brasil hexa. Sonhei com você, e não caí da cama. O sonho,  já  apontou Freud,  é o campo de realização daquilo que não se concretiza no cotidiano. Nossos delírios, nossos medos, nossas ansiedades acontecem como um filme, às vezes de terror, às vezes de final feliz. O espetáculo “Naitsu”, em cartaz na Laura Alvim, é uma bela parábola de como sonhos se processam.

O monólogo coreográfico criado por Regina Miranda especialmente para Marina Salomon, baseado na obra Haruki Murakami, considerado o maior autor japonês da atualidade, é um movimento entre corpo e palavra, braço e voz, andar e sentar, falar e repetir, que se constrói em giros de Marina atriz/bailarina em uma lógica de se autoexpor para evidenciar que a expressão  se constrói em todos os nossos poros.

“Naitsu” (noites, em japonês) convida a plateia para a experiência conjunta de uma noite em claro, com seus momentos de sonho, delírios, angústias e reflexões. O espetáculo cria um diálogo entre as várias noites descritas por Murakami e as noites que, por vezes, nos assaltam, aquelas onde os limites entre razão e insanidade tornam-se mais tênues, e a percepção da presença de instâncias fantásticas torna-se mais aguçada”, diz Regina.

Hoje, vamos para a “naite” nos divertir, nos embriagar, alcançar novos prazeres. O elegante figurino de Luiza Mercier tem a festa no vestido diáfano e o dia quando Marina incorpora um blazer. A dança é uma lembrança presente, como o corpo que se agita durante o dia, que faz do espetáculo uma forma de linguagem que nos faz refletir se é preciso dormir para sonhar.

Serviço:
Casa de Cultura Laura Alvim
Espaço Rogério Cardoso (porão)
Sexta e sábado, às 20h30
 Domingo, às 19h30

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Enviado por: Redação
29/06/2018 - 11:30

Teatro, por Claudia Chaves: “As Ondas ou Uma Autópsia”

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A palavra onda pode ter alguns significados: algo que quebra, que é bravo, que se surfa, que é legal. Porém, nos movimentos das marés, é que se conta o tempo. Em “As Ondas”, de Virginia Woolf, romance-poema escrito em 1931, a trama é a descrição da vidas de seis amigos, do nascer do sol até seu poente, formando as ondas que influem na vida das pessoas. A adaptação de Gabriel Miziara, “As Ondas ou Uma Autópsia”, no Teatro Poeira, aprofunda essa questão.

Miziara realiza um espetáculo no qual existe uma opção clara de trazer para o hoje o que Virginia falava no começo do século. Assim, o jogo de luz nas projeções e recursos visuais, inspirados na poética de Olafur Eliasson, equivale ao encontro/desencontro das palavras do texto original para mostrar a força da morte em oposição à vida.

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Segundo Miziara, na encenação, o corpo de estudo é o romance, e cada incisão, o olhar de cada personagem sobre a morte, seja ela metafórica, seja real. “A peça é um corpo aberto, uma anatomia poética mapeada, que busca a expressão mais fiel da dimensão íntima dessas personagens em suas experiências com a morte”, completa Gabriel.

Se a trama original fala de um encontro de amigos durante um dia, para ver o movimento de vai e vem – o que chega mais perto, o que se afasta, tudo é coletivo. A visão de cada amigo é que forma o sentido. E dessa forma, criando um coletivo de criação de provocadores, André Guerreiro Lopes, Carolina Fabri, Cássio Pires, Elias Andreato, Fause Haten, Malú Bazan, Sônia Machado de Azevedo, Patrícia Leonardelli, a peça consegue impactar pela criatividade.

Serviço:
Teatro Poeira
De sexta a sábado, às 21h
Domingos às 19h

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Enviado por: Redação
22/06/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Arcádia”

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Ideal dos gregos, dos poetas do século XVIII, de nossos inconfidentes, Arcádia representa o lugar onde a força é da natureza, leis e princípios que regem e determinam todos os passos de nossa vida. A partir dessa dicotomia, surgem outras, também tão fortes: passado e presente, ordem e desordem, certeza e incerteza. É desse caldo que o premiadíssimo Tom Stoppard constrói sua obra-prima, “Arcádia”, em cartaz na Cia. do Teatro Contemporâneo.

Com seu talento, o diretor José Guilherme Vasconcelos consegue equilibrar uma peça que é construída em cima de aparente oposição, pois a ação ocorre em dois tempos: o que acontece no interior da Inglaterra no século XIX, em Sidley Park, uma casa de campo inglesa, em 1809/1812, e na atualidade. As atividades de dois intelectuais e as pessoas que vivem na casa nesses dois tempos mostram que ciência, amor, arte e filosofia, há muito, percorrem as pessoas.

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Os figurinos de Luiza Valente e o cenário de Rostand de Albuquerque contribuem para caracterizar os aparentes conflitos expressos nos diálogos entre os personagens. O cenário tem, então, como base uma mesa com objetos das duas épocas, os quais convivem nos dois períodos, para evidenciar que não existem diferenças entre épocas. E a tartaruga que participa da peça simboliza a duração e permanência do tempo.

Contudo, é a coragem de José Guilherme em reunir o jovem, mas experimentado, elenco que dá vida e força a uma comédia que trata dos mais importantes temas da Ocidentalidade. Desde a contemporaneidade dos fractais e dos algoritmos, os dois atos revisitam os conflitos entre Classicismo e Romantismo. É esse caos do tempo, das ideias e dos conflitos que o diretor transforma numa acurada leitura dos dias de hoje.

Serviço:
Sede da Cia de Teatro Contemporâneo
Sábados às 21 h
Domingos às 20 h
Com degustaçãoo de vinho no intervalo

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Enviado por: Redação
15/06/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Perdoa-me por me traíres”

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Todo mundo cita Nelson, fala de Nelson, ri nervosamente e chora com a dor que parece não acabar. O pornógrafo, o tarado, o que só fala de incesto, de sexo de todo jeito é o mais festejado autor brasileiro. Ele mesmo, Nelson Rodrigues, pernambucano, carioca, Fluminense mais pó-de-arroz do mundo, de direita, jornalista, cronista. Amado, odiado, xingado, mas Nelson Rodrigues, de Perdoa-me por me traíres, está em cartaz no Espaço Furnas Cultural.

Um clássico, escrito há exatos 60 anos, parece ter saído do Facebook ou do Instagram. Em uma trama que mistura tio, mãe, sobrinha, pedofilia, prostituição, aborto, “Perdoa-me por me traíres” funciona como um pêndulo que vai para um lado, para o outro, mas sempre pesando na perda. Com elenco formado por Bebel AmbrosioBob NeriClarissa KahaneErnani Moraes, Gabriela RosasJoão Marcelo PallottinoRose LimaTatiana Infante e Wendell Bendelack, sob a direção de Daniel Herz, a peça gira em torno de todo tipo de traição: casamento, amizade, trabalho, relações de poder.

Sobre o que o estimulou a trabalhar nessa nova montagem, Daniel Herz, que já dirigiu também a obra “Valsa nº 6”, do mesmo autor, explica: “Nelson é universal e por isso sempre atual, mas é importante não deixar a singularidade do ´sotaque´ rodriguiano parecer uma cena cheia de naftalina. Manter a linguagem, mas parecer que ela é dos nossos dias, do nosso momento histórico,0 é o grande desafio”. Daniel acredita ainda que Nelson se repete com uma originalidade incrível e que dirigir “Perdoa-me…” é virar um pouco todos eles: a doença e a paixão que cada personagem carrega. Para finalizar, Herz ainda diz: “Ele é o nosso Shakespeare. Genial. Único! Poderia ficar o resto da vida só montando Nelson.”

O cenário de Fernando Mello da Costa são venezianas que se abrem e fecham como fazem exatamente nossos olhos e ouvidos quando não queremos saber daquilo que não queremos saber. Mas a talentosa e clássica direção de Daniel Herz valoriza e destaca o trabalho dos atores, fazendo com que as reações ao texto aconteçam exatamente como deve acontecer. E ficamos a pensar: atire a primeira coisa quem não traiu? Ou quem nunca criou uma situação para ser traído? E, além do mais, perdão foi feito pra gente pedir.

Serviço:
Espaço Furnas Cultural
Sábados e domingos às 19h
Entrada gratuita, distribuição de ingressos 1 hora antes do espetáculo
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Enviado por: Redação
08/06/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”

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Fala-se muito em empoderamento feminino, que as mulheres podem ter lugares nas direções de empresa, dirigir caminhões, serem operárias. Porém, nesse movimento, pode acontecer de as mulheres ocuparem as funções ditas masculinas e nem serem reconhecidas. É disso que trata A Guerra Não Tem Rosto de Mulher, em cartaz no Espaço Furnas, neste fim de semana, com entrada gratuita.

Concebido e dirigido por Marcello Bosschar, a peça é baseada no livro da Nobel Svetlana Alexievich,  que relata as histórias de mulheres nas linhas de frente e em casa, sobreviventes da Segunda Guerra. Na peça, sem cenário, apenas as atrizes Carolyna AguiarLuisa Thiré e Priscilla Rozenbaum, com um figurino que  lembra um uniforme assexuado, vão dando voz e gestos às histórias, sem nenhuma referência a tempo e lugar.

“Ao retirarmos referências geográficas e culturais, fazemos com que ‘a Guerra’ possa ser qualquer guerra, inclusive as urbanas, que estão tão próximas de todos nós. O que restou foram mães, irmãs, filhos e avós. Todos nós entendemos a linguagem da perda, da esperança e do amor. A peça é universal, pois é humana. São mulheres que morreram e outras que sobreviveram nas guerras passadas e nas presentes”, resume o diretor.

As atrizes, em textos curtos, que, apesar de não haver nenhum diálogo clássico, falam diretamente, o que cria um clima de proximidade com a plateia e um envolvimento maior.  Não há lamento, apenas relato, quase que uma contação de histórias que nos faz pensar em como a situação feminina vem sendo esmagada. Por isso, companheiras, a luta continua.

Serviço:

Espaço Furnas Cultural 
Sábados e Domingos, às 19 horas

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Enviado por: Redação
25/05/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “A Vida ao Lado”

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As pessoas dizem que família é bom em porta retrato. O que dizer de vizinhos então? A forma contemporânea de “l’enfer sont les autres” amplia-se com a presença indesejada nos elevadores, nos plays, nas garagens, na área comum. E quando vem alguma crise, afloram-se todas as patologias também ampliadas. Ao tratar de uma mudança coletiva por uma desapropriação para transformar o prédio em um aquário, “A Vida ao Lado”, no Teatro Serrador, coloca tudo isso num balaio só.

Com texto e direção de Cristina Fagundes, a peça vai moldando a partir de quatro núcleos, três famílias disfuncionais e o porteiro o crescimento das neuroses e obsessões. Das mais comuns hoje, como uma mulher de 60 anos que mente nos aplicativos de encontros, até relações totalmente sadomasoquistas, uma mulher ninfomaníaca. Cabe tudo na busca de se encontrar um lugar na vida ao mesmo tempo em que se está obrigado a procurar um lugar para viver.

O elenco formado por Alexandre Barros, Alexandre Varella, Ana Paula Novellino, Bia Guedes, Cristina Fagundes, Flávia Espírito Santo e Marcello Gonçalves se multiplica nos diversos papéis para contar as narrativas de cada recorte de trama. Essa mudança de personagens funciona muito bem, sobretudo quando a ação passa dos adultos para crianças.

A Vida ao Lado, apesar de o título chamar atenção para o que ocorre com o outro que está próximo e que não percebemos, fala daquilo que está dentro de cada um e que em contato com o vizinho acaba por aflorar. A opção de não se ter um cenário, apenas um fundo formado por luminárias, e os figurinos igualmente cinza leva o espectador a perceber que, infelizmente, a vida ao lado é falsamente iluminada.

Serviço:
Teatro Municipal Serrador
Quintas, Sextas e Sábados
às 19h30

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Enviado por: Redação
18/05/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Tom na Fazenda“

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Vida, paixão, separação e morte andam juntas como se fossem notas e tempos de uma mesma sinfonia. Ainda estar apaixonado e, por receio da aprovação da família, esconder a verdadeira natureza, que pode transformar os relacionamentos em verdadeiras ficções. “Tom na Fazenda“, em cartaz no Teatro Leblon, transforma essas questões em um verdadeiro redemoinho de sentimentos controversos.

Obra do premiado autor canadense Michel Marc Bouchard, o projeto é idealizado por Armando Babaioff, que assina a tradução do texto e divide a cena com Ketzy Ecard, Gustavo Vaz e Camila Nhary. Com direção de Rodrigo Portella, é o espetáculo com mais indicações a prêmios entre os estreados em 2017.

No ano em que traduzi a peça, 347 pessoas foram assassinadas pelo simples fato de serem quem eram. O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, mais do que nos 13 países do Oriente e da África, onde há pena de morte aos LGBT. O que me fascina em ‘Tom na Fazenda’ é essa possibilidade de falar de assuntos que eu realmente acho necessário. Eu sinto essa necessidade de dizer ao mundo verdades em que acredito”, diz Babaioff.

O modus vivendi da fazenda – com o trato dos animais, o plantar e o colher – começa a ser o ritmo dos diálogos, das revelações e das perguntas dos dramas internos que se tornam externos. O luto torna-se uma nova vida. O que poderia ser enterrado torna-se insepulto. O espectro torna-se real. Assim como os animais e plantas, tudo deixa raízes. Esse é o movimento da fazenda. Esse é o movimento da vida.

Serviço:
Teatro Leblon
Quintas a sábados às 21h
Domingos às 19h.

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Enviado por: Redação
11/05/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “O Açougueiro”

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Feminicídio. Parece que ouvimos pela primeira vez, apesar de ter se tornado palavra diário em corrente nos jornais, no Facebook, em qualquer lugar em que se tenha notícia. O mau-trato contra a mulher no Brasil é uma constante – corrói a família, o trabalho, assassina o amor. O monólogo “O Açougueiro”, do ator pernambucano Alexandre Guimarães, na Laura Alvim, é um retrato fiel do em que se transforma um afeto doentio.

Alexandre Guimarães, dirigido por Samuel Santos, também autor, encarna o conjunto de personagens que dão vida à história de Antônio e sua mulher, Nicinha. Além disso, Alexandre inclui os fortes cantos da cultura popular do Nordeste, que servem para mais do que ambientar a história com cor local. Mostram o modo como essa cultura molda todo tipo de relação.

“Conheci um matadouro público, um matadouro informal. Foi fundamental, para mim, sentir cheiros, ouvir sons. Percebi uma coisa: mesmo o homem que mata o boi é extremamente respeitoso com o animal que vai abater. O espetáculo também fala disso. Antônio é abandonado por todos na cidade, menos pelo boi “, diz Alexandre.

Essa busca de um Teatro Físico e Antropológico, o espetáculo acaba por construir um manifesto de forma muito poética. O cenário e o figurino são imagens distorcidas de sangue seco, pisado. Algo que parece que já aconteceu, mas está ali à frente de nossos olhos. A matança mais cruel não é a física, é o assassinato da alma, do qual o sangue não para de jorrar. (Fotos: Lucas Emanuel)

Serviço:
Teatro Maison de France
Quintas às 19 horas

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Enviado por: Redação
27/04/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Nara – A menina disse coisas”

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A vida nos leva, na maioria das vezes, a caminhos que jamais quisemos trilhar. Não só por acontecerem acidentes de percurso como também por sermos surpreendidos pela atração de novos caminhos. Essa mudança até pode parecer benfazeja – somos saudados, incensados, mas isso não nos traz felicidade. Tornamo-nos um conflito ambulante. Esse é o foco de “Nara – A menina disse coisas”, no Teatro Ipanema.

Aline Carrocino é uma Nara doce e firme, com uma voz que embala o revival dos anos de ouro da MPB, na montagem idealizada pelo jornalista Christovam de ChevalierMarcos França, coautor com Hugo Sukman, interpreta os papéis masculinos que dialogam com Nara. O roteiro opta por reviver os conflitos, os amores, as dúvidas da cantora em canções, sem seguir uma óbvia ordem cronológica dos sucessos, mas dando a eles o momento correto de significação dentro da narrativa.

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O Brasil conheceu uma cantora que foi popular e contundente – quando unir tais características era possível. E influente quando isso não era medido por likes ou views. E plural, como outras só seriam nos anos 90. E corajosa, tanto por dar voz a canções que criticavam as mazelas do país quanto por suas declarações, muitas delas contra o governo militar de então”, diz Christovam de Chevalier.

Aos poucos, delineia-se o que se apresentar. Nara vai além de ser um espetáculo que nos faz cantar as músicas tão presentes em nossas vidas. É como uma vida que cresce, explode, encolhe, recusa-se a ir embora, mas pulsa na força do que quer, sem medo de ir em frente. Nara Leão foi  mais do que uma menina que disse coisas: foi uma artista que soube estabelecer, com humanidade, o território do talento. (Fotos: Janderson Pires)

Serviço:
Teatro Ipanema
Sábados, domingos e  segundas às 20h30

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Enviado por: Redação
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