BLOG - TEATRO, por Claudia Chaves

12/01/2018 - 11:00

Teatro, por Cláudia Chaves: “Cauby! Cauby!”

Cauby! Cauby!

A memória é algo que nos impacta sempre, sobretudo quando vem misturada com infância, nostalgia, juventude, uma ideia difusa, quase que um sonho, de um tempo e valores que ainda nos norteiam. Esse é o mundo que nos traz  “Cauby! Cauby!”, em cartaz no Teatro Carlos Gomes.

Sob a magnífica interpretação de Diogo Vilela e texto estruturadíssimo de Flávio Marinho, a trajetória de Cauby Peixoto é contada a partir do olhar de Nancy, sua fiel escudeira, que é entrevistada por uma dupla de alunos de Comunicação, ao mesmo tempo que faz um balanço do panorama da música brasileira na segunda metade do século XX.

“Uma das figuras mais especiais do show-business brasileiro, dono de estilo e voz inconfundíveis”, como define Flávio Marinho. “Cauby contrapõe a exuberância de sua presença cênica com uma discretíssima vida pessoal. O que ele extravasa no palco contém um dia a dia muito sóbrio, vivendo para a voz, o canto e o trabalho”, completa.

Em um cenário que mistura quarto,  cabaré, uma mistura, os atores Sylvia Massari, Sabrina Korgut, Paulo Trajano, Aurora Dias, Luiz Gofman, Ryene Chermont, Luiz Menezes e Rafael de Castro cantam as músicas de um magnífico roteiro musical que, em época de carnaval, nos acende o melhor do espírito brasileiro: nossa música e nosso jeito romântico de ver o mundo. (Foto: Dalton Valério)

Serviço:
Teatro Carlos Gomes
Quintas, Sextas e Sábados às 19 horas
Domingos às 18 horas

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Enviado por: Redação
05/01/2018 - 11:00

Teatro, por Cláudia Chaves: “Monólogos da Vagina”

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São vários nomes/apelidos. Metáforas de flor, de animais… Adjetivos, nada a ver: palavras de baixo calão. Nem a mulher a conhece, escondida, longínqua. Desconhecida mesmo, assustadora. Tudo isso, desde os pequenos e esquisitos apelidos, o embaraço está na peça ”Monólogos da Vagina”, em cartaz no Teatro dos Grandes Atores.

De um real monólogo encenado pela própria autora, Eve Ensler, em 1996, até o enorme sucesso mundial, Os Monólogos, sempre no plural, trouxeram à tona as dificuldades, as alegrias, os impasses do órgão sexual feminino. São 12 cenas/esquetes  na adaptação e direção de Miguel Falabella, com as atrizes Adriana Lessa, Cacau Mello, Maximiliana Reis, revezando-se em oito diferentes papéis cada uma das atrizes.

“Eu gostaria de acreditar que a peça está desatualizada e irrelevante, mas infelizmente não está”, disse Eve Ensler. “Eu viajo o Planeta; nos Estados Unidos, 51% da população têm vaginas, e não somos capazes de ter uma política social sobre essas vaginas. Sabemos que uma em cada três mulheres será estuprada ou espancada em sua vida; então sabemos que temos um longo caminho a percorrer antes que as vaginas sejam liberadas.”

O texto é alternadamente hilário com situações dramáticas; por isso é profundamente perturbador. Tão importantes os monólogos sérios – o tributo às vítimas de estupro da Bósnia, um relatório de testemunhas oculares sobre a maravilha do parto -, mas o humor é a força real e motriz. Aqui, o riso começa tímido, cresce nervoso e depois vira a válvula de escape de tentar compreender aquilo que é mistério: o poder da vagina.

Serviço:
Teatro dos Grandes Atores.
Sextas e sábados, às 21h
Domingos, às 20h

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Enviado por: Redação
15/12/2017 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: ‘Uma Espécie de Alasca’

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Algumas perguntas fazemos desde que começamos a nos entender. Quem sou eu? Onde estou? Você sabe quem eu sou? Eu sei quem é você? Como o tempo passou e não percebi? Em torno dessas questões – que vivemos, e não conseguimos responder –, é que se centra a trama de “Uma Espécie de Alasca“, do Nobel Harold Pinter, em cartaz na Caixa Cultural.

Na trama, Yara de Novaes interpreta Débora, mulher em coma há 29 anos, após contrair a doença do sono (encefalite letárgica) e que acorda com a mente de 16 anos de idade. Durante todo o tempo em coma, Débora foi cuidada por sua irmã Paulinha e seu cunhado, o dedicado médico Hornby, vividos por Miriam Rinaldi e Jorge Emil.

Pinter inspirou-se no livro de ficção “Awakenings“, pois a fonte do livro é a mesma em que o autor bebe para a sua dramaturgia: a sensação de que o tempo passado nunca pode ser quantificado com precisão, ou totalmente recapturado. Os recursos cênicos, como a concepção audiovisual de Luiz Duva, a trilha sonora de Luisa Maita e Jam da Silva e os figurinos de Débora Falabella contribuem para reafirmar que a busca é impossível.

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“Uma Espécie de Alasca” reformula a fábula da “Bela Adormecida“: alguém preso num mundo de gelo, frio, distante, que deseja encontrar o que deixou: pai, mãe, cachorro, a própria juventude encerrada agora nas profundezas de um corpo de uma mulher de meia-idade. Como todos nós, que ficamos congelados no passado e cujo retorno se dá sem o beijo salvador do príncipe. (Fotos: LeekyungKim)

Serviço:
Caixa Cultural Rio
De sexta a sábado, às 19h
Domingo, às 18h

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Enviado por: Redação
01/12/2017 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: ‘O julgamento de Sócrates’

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Havia um professor de Filosofia que dizia a nós, alunos: “O que eu digo não se escreve.” Palavras o vento leva, mas também existe a máxima “vale o escrito”, do jogo do bicho. Entre falar, escrever, anotar, registrar e se perder, tem vivido a humanidade, tentando entender o que vem a ser essa tal humanidade. “O Julgamento de Sócrates”, no Teatro Cândido Mendes, atualiza esse impasse.

Com texto de Ivan Fernandes, a peça marca a celebração dos 50 anos de carreira do ator Tonico Pereira, com seu primeiro monólogo. Tonico se apresenta de forma franciscana: sandálias, um conjunto de algodão para, apenas com a força de sua interpretação, realizar um grande e complexo espetáculo.

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“Não queria falar de nada sobre isso diretamente, até porque muitas pessoas estão sem distanciamento. Então me ocorreu dizer que tudo virou um grande julgamento: a sociedade, as redes sociais etc. Dessa ideia me veio o julgamento de Sócrates, que é considerado o maior da história e, por muitos, o ponto inicial onde a sociedade rejeitou a razão em nome de outros interesses. Isso ilustra muito os dias de hoje”, conta Ivan Fernandes, o autor.

Um prólogo, no qual Tonico registra suas origens desde Campos; a chegada ao Rio dá lugar a um salto no tempo, para simular a autodefesa de Sócrates em seu julgamento. É esse texto que expressa a angústia do homem, os valores éticos que ainda continuam perdidos e, sobretudo, a forma como o homem pode escolher o seu próprio destino.

SERVIÇO:
Teatro Cândido Mendes
Sexta, Sábados e Domingos às 20 horas

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Enviado por: Redação
24/11/2017 - 10:00

Teatro, por Claudia Chaves: ‘Tom na Fazenda’

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Vida, paixão, separação e morte andam juntas como se fossem notas e tempos de uma mesma sinfonia. Ainda estar apaixonado e, por receio da aprovação da família, esconder a verdadeira natureza, que pode transformar os relacionamentos em verdadeiras ficções. “Tom na Fazenda“, em cartaz no Teatro Poeirinha, transforma essas questões em um verdadeiro redemoinho de sentimentos controversos.

Obra do premiado autor canadense Michel Marc Bouchard, o projeto é idealizado por Armando Babaioff, que assina a tradução do texto e divide a cena com Analu Prestes, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary. Com direção de Rodrigo Portella, é o espetáculo com mais indicações a prêmios entre os estreados em 2017.

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“No ano em que traduzi a peça, 347 pessoas foram assassinadas pelo simples fato de serem quem eram. O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, mais do que nos 13 países do Oriente e da África, onde há pena de morte aos LGBT. O que me fascina em ‘Tom na Fazenda’ é essa possibilidade de falar de assuntos que eu realmente acho necessário. Eu sinto essa necessidade de dizer ao mundo verdades em que acredito”, diz Babaioff.

O modus vivendi da fazenda – com o trato dos animais, o plantar e o colher – começa a ser o ritmo dos diálogos, das revelações e das perguntas dos dramas internos que se tornam externos. O luto torna-se uma nova vida. O que poderia ser enterrado torna-se insepulto. O espectro torna-se real. Assim como os animais e plantas, tudo deixa raízes. Esse é o movimento da fazenda. Esse é o movimento da vida.

Serviço:
Teatro Poeirinha
Quintas a sábados às 21h
Domingos às 19h.

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Enviado por: Redação
17/11/2017 - 20:00

Teatro, por Claudia Chaves: ‘Por Toda a Minha Vida’

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“Ora, praticamente nasceu na coxia”. ”Também, o pai era o maior ator brasileiro”. “Poxa! Estudou na Inglaterra”. “O marido fez uma peça só para ela”. Nenhuma dessas afirmações justifica o enorme talento de Bibi Ferreira. Sua capacidade de dramatizar, mudar a voz, cantar, sorrir, gargalhar e, sobretudo, inovar-se. É a Bibi, nascida na coxia, filha do maior ator, consagrada em ”Gota d’Água”, que volta inteira ao palco em “Por toda a minha vida”, no Oi Casa Grande.

Desta vez, entram as múltiplas Bibis no palco: a atriz, a cantora, a causeur, a diretora, pois Bibi continua trabalhando em parceria com seu maestro, Flávio Mendes, e seu empresário, Nilson Raman, na seleção das canções, na seleção das histórias e no estudo do roteiro.

A “costura”, como diz Bibi. “Lembrei-me de muitos momentos, de diversas passagens e percebi que tive, em toda a minha vida, pessoas dos meus pais. São novas e velhas histórias. São novas e velhas canções. E foi lembrando nessas pessoas que se criou a estrada que conduz seu novo espetáculo.”

São momentos mágicos. Canções que se relembram, que a plateia entoa baixinho, cada um se lembrando em que momento aquela música fez parte da biografia dos que assistem. Eu mesma fui ao teatro a primeira vez em “My Fair Lady” e me apaixonei irremediavelmente. É essa paixão pelo teatro que Bibi Ferreira divide conosco em “Por toda a minha vida”.

Serviço:
Teatro Oi Casa Grande
Sábado, às 21h
Domingo, às 19h

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Prezados leitores, a partir desta segunda-feira (20/11), as colunas vão ser publicadas às 10h da manhã.


Enviado por: Redação
10/11/2017 - 20:30

Teatro, por Claudia Chaves: ‘Perdoa-me por me traíres’

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Todo mundo cita Nelson, fala de Nelson, ri nervosamente e chora com a dor que parece não acabar. O pornógrafo, o tarado, o que só fala de incesto, de sexo de todo jeito é o mais festejado autor brasileiro. Ele mesmo Nelson Rodrigues, pernambucano, carioca, Fluminense mais pó-de-arroz do mundo, de direita, jornalista, cronista. Amado, odiado, xingado. Nelson Rodrigues de “Perdoa-me por me traíres”, em cartaz no Teatro Laura Alvim.

Um clássico, peça escrita há exatos 60 anos, parece ter saído do Facebook ou do Instagram. Em uma trama que mistura tio, mãe, sobrinha, pedofilia, prostituição, aborto,”Perdoa-me por me traíres” funciona como um pêndulo que vai para um lado, para o outro mas sempre pesando na perda. Com elenco formado por Bebel AmbrosioBob NeriClarissa KahaneErnani MoraesGabriela RosasJoão Marcelo PallottinoRose LimaTatiana Infante Daniel Herz, sob a direção de Daniel Herz , a peça gira em torno de todo o tipo de traição: casamento, amizade, trabalho, relações de poder.

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Sobre o que o estimulou a trabalhar nessa nova montagem, Daniel Herz, que já dirigiu também a obra “Valsa nº 6”, do mesmo autor, explica: “Nelson é universal e por isso sempre atual, mas é importante não deixar a singularidade do ´sotaque´ rodriguiano parecer uma cena cheia de naftalina. Manter a linguagem, mas parecer que ela é dos nossos dias, do nosso momento histórico. Esse é o grande desafio”. Daniel acredita ainda que Nelson se repete com uma originalidade incrível e que dirigir “Perdoa-me…” é virar um pouco todos eles: a doença e a paixão que cada personagem carrega. Para finalizar Herz ainda diz “Ele é o nosso Shakespeare. Genial. Único! Poderia ficar o resto da vida só montando Nelson.”

O cenário de Fernando Mello da Costa são venezianas que se abrem e fecham como fazem exatamente nossos olhos e ouvidos quando não queremos saber daquilo que não queremos saber. Mas a talentosa e clássica direção de Daniel Herz valoriza e destaca o trabalho dos atores o que faz com que as reações ao texto aconteçam exatamente como deve acontecer. E ficamos a pensar: atire a primeira pedra quem não traiu? Ou quem nunca criou uma situação para ser traído? E além do mais, perdão foi feito para a gente pedir.

Serviço:
Casa de Cultura Laura Alvim
Sextas e Sábados às 21h
Domingos às 20 horas

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Enviado por: Redação
03/11/2017 - 19:00

Claudia Chaves: ‘Dandara Através do Espelho’

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A arte trata de ilusão – de todos os tipos e de todas as formas. Um quadro não é a pessoa, mas a pessoa vista pelo artista. Uma peça reencena um pedaço da vida dos personagens, e um filme congela instantes. Tudo visto sob a ótica do outro. Porém, quando o artista resolve contar a sua própria história, qual a verdade? Quais os sentimentos a mostrar? Assim é “Dandara através do Espelho”, em cartaz na Sala Baden Powell.

O espetáculo é uma autobiografia da atriz Dandara Vital; mistura cinema e teatro para narrar as particularidades do universo trans. Um encontro entre o passado e o presente das sutilezas do universo no qual Dandara, com ajuda de Pedro (Pedro Bento), um estudante de teatro, constrói em cena o jogo de criação da arte.

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“Eu tinha (e tenho um sonho) de fazer um filme sobre a minha vida, contando os desafios e alegrias que vivi no meu processo de transição. A peça é criada a partir do meu diário e proponho um debate sobre a representação do corpo trans na arte”, diz Dandara.

O espetáculo é um manifesto do papel da arte sobre como o artista pode deformar, aumentar, diminuir uma imagem que se reflete nos espelhos. É igual, mas não é uma cópia. Tem reflexos, sutilezas, aspectos que têm de ser bem representados para que o espectador embarque junto na aventura. Dandara Vital consegue essa plenitude: na interpretação, no texto e na verdade com que se mostra inteira – sem espelho.

SERVIÇO:
Sala Espelho da Sala Municipal Baden Powell
Sábados e Domingos às 19h

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Enviado por: Redação
20/10/2017 - 19:00

Teatro, por Claudia Chaves: Puro Ney

Foto: Leo Aversa

“Eu tenho um tufão nos quadris”. Essa poderia ser a auto-definição de Ney Matogrosso. Uma voz extraordinária, uma escolha de repertório impecável e um performer como poucos fazem de Ney um artista único, inimitável no cenário da música brasileira. Esse espírito inovador, talentoso, essa capacidade de empatia com qualquer plateia são o centro do espetáculo Puro Ney, uma peça-concerto que reencena os melhores momentos do cantor.

Cantores-atores Soraya Ravenle e Marcos Sacramento apresentam 24 canções do repertório de Ney com a pegada de atores, dando novos significados às letras, transformando muitas dessas em monólogos, diálogos ao mesmo tempo em que se vê o próprio Ney nas projeções especialmente gravadas, que funcionam como texto, iluminam textos, esclarecem sentidos e avivam o espírito que já passa de 4 décadas.

“Ney canta de tudo, sem preconceito de gênero: ele vai de frevos, xotes, toadas e sambas até o rock e o pop, atravessando todo o frondoso território da MPB. Escolher apenas 24 músicas para ‘Puro Ney’ foi um desafio”, conta Luís Filipe de Lima, responsável pelo roteiro, direção geral, arranjos e direção musical do espetáculo.

Soraya e Marcos aceleram na interpretação que é ótima, posto que não se constitui nem em paródia e muito menos em imitação. São 90 minutos de lembranças individuais e coletivas, de repensar o que foi, em plena ditadura, um jovem magrinho, com um timbre de voz único, aparecer seminu, fantasias delirantes, maquiagem. Ah! e com aquele remexer tão único, meio brasileiro, meio elvis. Puro Ney é um tufão de bons momentos.

Serviço:
Teatro dos Quatro – Shopping da Gávea
Terças, Quartas e Quintas-feiras às 20h30

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Enviado por: Redação
13/10/2017 - 20:00

Teatro, por Claudia Chaves: ‘Guanabara Canibal’

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Braços abertos sobre a Guanabara. Rio de Janeiro, gosto de você. Cidade mais linda do mundo. Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil. Isso é em que a mui leal e sincera Cidade de São Sebastião se transformou. Mas de onde viemos, esse ser Carioca, Maracanã, Ipanema? É disso que trata” Guanabara Canibal“, em cartaz no CCBB-Rio.

Após uma intensa pesquisa sobre as origens do Rio de Janeiro, o diretor Marco André Nunes e o dramaturgo Pedro Kosovski, da Aquela Cia., desenvolveram um espetáculo de luz e som que vai além de retratar um fato histórico, uma gênese. O foco é o que não consideramos, o que não vimos, aquilo que jamais reconhecemos. O Rio desprezou e canibalizou nossos ancestrais.
A pesquisa feita para a criação de “Cara de Cavalo” e “Caranguejo Overdrive” nos estimulou a continuar a investigação acerca da nossa própria história. Ao reler “O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, deparei com um poema de José de Anchieta sobre os feitos de Mém de Sá durante as batalhas que dizimaram várias aldeias tupinambás e consagraram o domínio de Portugal sobre o nosso território”, lembra Marco André Nunes.

Em cena, Carolina Virguez, Matheus Macena João Lucas Romero, Reinaldo Júnior e Zaion Salomão ocupam, com uma força, o palco, o texto e se movimentam na mistura dos textos-referência, de escritores dessa época, com a música eletrônica que atualiza o tema. Continuamos a canibalizar nossas origens, nossas verdades, o verdadeiro espírito da Cidade? Responda se for capaz. Ou não perca “Guanabara Canibal”.

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Enviado por: Redação
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