BLOG - TEATRO, por Claudia Chaves

25/05/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “A Vida ao Lado”

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As pessoas dizem que família é bom em porta retrato. O que dizer de vizinhos então? A forma contemporânea de “l’enfer sont les autres” amplia-se com a presença indesejada nos elevadores, nos plays, nas garagens, na área comum. E quando vem alguma crise, afloram-se todas as patologias também ampliadas. Ao tratar de uma mudança coletiva por uma desapropriação para transformar o prédio em um aquário, “A Vida ao Lado”, no Teatro Serrador, coloca tudo isso num balaio só.

Com texto e direção de Cristina Fagundes, a peça vai moldando a partir de quatro núcleos, três famílias disfuncionais e o porteiro o crescimento das neuroses e obsessões. Das mais comuns hoje, como uma mulher de 60 anos que mente nos aplicativos de encontros, até relações totalmente sadomasoquistas, uma mulher ninfomaníaca. Cabe tudo na busca de se encontrar um lugar na vida ao mesmo tempo em que se está obrigado a procurar um lugar para viver.

O elenco formado por Alexandre Barros, Alexandre Varella, Ana Paula Novellino, Bia Guedes, Cristina Fagundes, Flávia Espírito Santo e Marcello Gonçalves se multiplica nos diversos papéis para contar as narrativas de cada recorte de trama. Essa mudança de personagens funciona muito bem, sobretudo quando a ação passa dos adultos para crianças.

A Vida ao Lado, apesar de o título chamar atenção para o que ocorre com o outro que está próximo e que não percebemos, fala daquilo que está dentro de cada um e que em contato com o vizinho acaba por aflorar. A opção de não se ter um cenário, apenas um fundo formado por luminárias, e os figurinos igualmente cinza leva o espectador a perceber que, infelizmente, a vida ao lado é falsamente iluminada.

Serviço:
Teatro Municipal Serrador
Quintas, Sextas e Sábados
às 19h30

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Enviado por: Redação
18/05/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Tom na Fazenda“

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Vida, paixão, separação e morte andam juntas como se fossem notas e tempos de uma mesma sinfonia. Ainda estar apaixonado e, por receio da aprovação da família, esconder a verdadeira natureza, que pode transformar os relacionamentos em verdadeiras ficções. “Tom na Fazenda“, em cartaz no Teatro Leblon, transforma essas questões em um verdadeiro redemoinho de sentimentos controversos.

Obra do premiado autor canadense Michel Marc Bouchard, o projeto é idealizado por Armando Babaioff, que assina a tradução do texto e divide a cena com Ketzy Ecard, Gustavo Vaz e Camila Nhary. Com direção de Rodrigo Portella, é o espetáculo com mais indicações a prêmios entre os estreados em 2017.

No ano em que traduzi a peça, 347 pessoas foram assassinadas pelo simples fato de serem quem eram. O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, mais do que nos 13 países do Oriente e da África, onde há pena de morte aos LGBT. O que me fascina em ‘Tom na Fazenda’ é essa possibilidade de falar de assuntos que eu realmente acho necessário. Eu sinto essa necessidade de dizer ao mundo verdades em que acredito”, diz Babaioff.

O modus vivendi da fazenda – com o trato dos animais, o plantar e o colher – começa a ser o ritmo dos diálogos, das revelações e das perguntas dos dramas internos que se tornam externos. O luto torna-se uma nova vida. O que poderia ser enterrado torna-se insepulto. O espectro torna-se real. Assim como os animais e plantas, tudo deixa raízes. Esse é o movimento da fazenda. Esse é o movimento da vida.

Serviço:
Teatro Leblon
Quintas a sábados às 21h
Domingos às 19h.

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Enviado por: Redação
11/05/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “O Açougueiro”

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Feminicídio. Parece que ouvimos pela primeira vez, apesar de ter se tornado palavra diário em corrente nos jornais, no Facebook, em qualquer lugar em que se tenha notícia. O mau-trato contra a mulher no Brasil é uma constante – corrói a família, o trabalho, assassina o amor. O monólogo “O Açougueiro”, do ator pernambucano Alexandre Guimarães, na Laura Alvim, é um retrato fiel do em que se transforma um afeto doentio.

Alexandre Guimarães, dirigido por Samuel Santos, também autor, encarna o conjunto de personagens que dão vida à história de Antônio e sua mulher, Nicinha. Além disso, Alexandre inclui os fortes cantos da cultura popular do Nordeste, que servem para mais do que ambientar a história com cor local. Mostram o modo como essa cultura molda todo tipo de relação.

“Conheci um matadouro público, um matadouro informal. Foi fundamental, para mim, sentir cheiros, ouvir sons. Percebi uma coisa: mesmo o homem que mata o boi é extremamente respeitoso com o animal que vai abater. O espetáculo também fala disso. Antônio é abandonado por todos na cidade, menos pelo boi “, diz Alexandre.

Essa busca de um Teatro Físico e Antropológico, o espetáculo acaba por construir um manifesto de forma muito poética. O cenário e o figurino são imagens distorcidas de sangue seco, pisado. Algo que parece que já aconteceu, mas está ali à frente de nossos olhos. A matança mais cruel não é a física, é o assassinato da alma, do qual o sangue não para de jorrar. (Fotos: Lucas Emanuel)

Serviço:
Teatro Maison de France
Quintas às 19 horas

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Enviado por: Redação
27/04/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Nara – A menina disse coisas”

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A vida nos leva, na maioria das vezes, a caminhos que jamais quisemos trilhar. Não só por acontecerem acidentes de percurso como também por sermos surpreendidos pela atração de novos caminhos. Essa mudança até pode parecer benfazeja – somos saudados, incensados, mas isso não nos traz felicidade. Tornamo-nos um conflito ambulante. Esse é o foco de “Nara – A menina disse coisas”, no Teatro Ipanema.

Aline Carrocino é uma Nara doce e firme, com uma voz que embala o revival dos anos de ouro da MPB, na montagem idealizada pelo jornalista Christovam de ChevalierMarcos França, coautor com Hugo Sukman, interpreta os papéis masculinos que dialogam com Nara. O roteiro opta por reviver os conflitos, os amores, as dúvidas da cantora em canções, sem seguir uma óbvia ordem cronológica dos sucessos, mas dando a eles o momento correto de significação dentro da narrativa.

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O Brasil conheceu uma cantora que foi popular e contundente – quando unir tais características era possível. E influente quando isso não era medido por likes ou views. E plural, como outras só seriam nos anos 90. E corajosa, tanto por dar voz a canções que criticavam as mazelas do país quanto por suas declarações, muitas delas contra o governo militar de então”, diz Christovam de Chevalier.

Aos poucos, delineia-se o que se apresentar. Nara vai além de ser um espetáculo que nos faz cantar as músicas tão presentes em nossas vidas. É como uma vida que cresce, explode, encolhe, recusa-se a ir embora, mas pulsa na força do que quer, sem medo de ir em frente. Nara Leão foi  mais do que uma menina que disse coisas: foi uma artista que soube estabelecer, com humanidade, o território do talento. (Fotos: Janderson Pires)

Serviço:
Teatro Ipanema
Sábados, domingos e  segundas às 20h30

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Enviado por: Redação
20/04/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “O olho de vidro”

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A vida é feita de memórias. Singelezas selecionadas. Fatos aqui acolá. Coisas sem total importância. Um cheiro. Um sabor. Uma risada. Uma enorme tristeza. Lembranças vão se enfileirando, acumulando e viram novos fatos. Novas memórias de que jamais vivemos.  Uma ficção de nós mesmos. Um olhar que  colocamos e retiramos. É desse tema que se compõe o O olho de vidro, em cartaz no Teatro Cândido Mendes.

O monólogo “O olho de vidro”, com Charles  Asevedo,  é um projeto do ator  a partir do  seu encontro com o livro “O olho de vidro do meu avô”, de Bartolomeu  Campos de Queirós.  Vera Holtz , Guilherme Leme Garcia  e Flávia Pucci   dão vida ao texto, reconstruído de forma brilhante por Renata Mizrah  em uma dramaturgia na qual a plateia se torna coadjuvante, pois a linha é uma conversa, uma contação de histórias que exige ouvidos.

“Uma das características da narrativa que me tocaram foi justamente essa evocação das  minhas próprias memórias – a infância passada na Baixada Fluminense, onde cresci; a relação com  minha  própria família e a descoberta da homossexualidade. E por que não misturar as memórias do personagem às minhas? Essa proposta partiu de Guilherme Leme Garcia e imediatamente aceitei,” diz Charles.

Reconstruir em espelho a história de vida poderia parecer ousado, mas Charles Asevedo utiliza-se da prosódia mineira para transformar os impasses de um menino, seu primeiro amor, a difícil relação com o pai, a trajetória de professor, as dificuldades de ser ator em uma cadência na qual quem escuta chega à frente da cadeira, não tira os olhos, emociona-se – talvez pensando se aquela memória também não é a sua. É só colocá-la lá, como num olho de vidro.

SERVIÇO:
Teatro Candido Mendes 
Sextas e sábados às 20h
Domingos, às 19h

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Enviado por: Redação
13/04/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Gritos”

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A palavra é de prata e o silêncio é de ouro. Como se representar em um tempo que os estímulos sonoros são gigantescos? Gravam-se mensagens, toques nos acordam, músicas são trilhas do cotidiano. É um mundo comandado pelos fones. E como construir um diálogo em narrativas que se misturam gestos humanos aos gestos de bonecos? “Gritos“, em cartaz no Teatro Laura Alvim, leva-nos a novas dimensões.

“Gritos”, uma criação da Cia. Dos à Deux, com dramaturgia, cenografia e direção de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, é formada por três poemas gestuais metafóricos criados a partir de um tema: o amor. Assim, vai desenvolvendo homens e bonecos, atores gente e atores fantoches para causar uma reflexão sobre formas de amor.

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“Essa pesquisa, na fronteira entre artes plásticas, formas animadas, teatro e dança, nos fez ter uma nova sensação gestual que, até então, não havíamos experimentado. Um gestual potente, complexo e contido”, explica Artur. “Ao longo da criação, na pesquisa de formas animadas, nós fomos dando vida ao invisível dos corpos, aos poucos, como se a vida tivesse arrancado um pedaço desses personagens, obrigando-nos a dar poesia e intenção a objetos que se tornaram corpos, e corpos que se tornaram objetos”, explica André.

A instalação composta por colchões de mola e a sua transformação em ambientes fazem da cenografia mais um personagem. A morte injusta de um transexual, a dissonância entre o material e a mente no homem sem cabeça, o amor que não concretiza pela guerra são os temas que, em uma atuação sem palavras, gritam-nos que o mundo anda difícil. (Fotos: Renato Mangolin)

Serviço:
Teatro Laura Alvim
Sexta e sábado, às 20h.
Domingo, às 19h.

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Enviado por: Redação
06/04/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Nos passos de Nureyev”

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Existem experiências do absoluto. Um linda paisagem. O David. Uma ópera de Wagner. Um romance de Victor Hugo. Um vinho ao lado de quem se gosta. Mas entre todas elas, existe a manifestação completa, a arte das artes como disse Hegel: a dança. E entre todas as danças, todos os grandes bailarinos existiu Rudolf Chametovič Nureyev ou simplesmente Rudy. Esse é o programa do Ballet du Capitole de Toulouse no Theatro Municipal.

O Ballet du Capitole de Toulouse apresenta as grandes coreografias criadas por Nureyev, dentro da sua tradição de mesclar tradição e modernidade com35 bailarinos, de 12 nacionalidades diferentes, com a direção de Kader Belarbi. Os números incluem os fantásticos pas-de-deux de “A Bela Adormecida” o 3º ato de La Bayadère e a cena da sacada de Romeu e Julieta, imortalizada por Nureyev e Margot Fonteyn.

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“Quando anoitece, não sei o que fazer de mim se não estiver no palco”; “Dança melhor quando estou cansado, se já perdi metade do fôlego sei que vai sair tudo certo, os músculos responderão”; “A dança é o que eu faço, essa é minha vida.”, são algumas das frases de Rudy sobre a sua profissão de fé.

Os figurinos do verdadeiro ballet clássico com a perfeição do corpo de baile vai crescendo de cena em cena, de número em número, até atingir a perfeição com o Pas des deux de “A Bela Adormecida”, considerado por Rudy o ballet de todos os ballets. A técnica é ultrapassada aqui pela enorme competência do coreógrafo, da música, da mistura única nas artes, na qual se vê que o corpo humano pode ir além dos seus limites para exercer a paixão em sua totalidade. (Foto: David Herrero / Divulgação)

Serviço:
Theatro Municipal
Sexta e sábados às 20 horas
Sábado às 15 horas

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Enviado por: Redação
30/03/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: “Lifting – Uma comédia cirúrgica”

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“Nossa miga você está linda! Maravilhosa! Empoderada! Espetacular! Gostosa!”. São os adjetivos que mais encontramos no Facebook e no Instagram – povo do algoritmo, já estou facilitando – mas, na real, ninguém é tão perfeito assim. E com isso, o Brasil é o campeão mundial em academias e procedimentos estéticos. “Lifting – Uma Comédia Cirúrgica“, em cartaz no Teatro Sesi, aborda esse tema com cruel humor.

Com direção de César Augusto, o texto do espanhol Félix Sabroso apimenta-se trazido nos figurinos em vermelho absoluto. Angela Rebello, Drica Moraes, Lorena da Silva e Luísa Pitta revezam-se em todas os papéis possíveis nessa temática: médicas, enfermeiras, pacientes desesperadas, amigas, inimigas em busca da tal felicidade traduzida em magreza, nariz, bunda e eterna juventude.

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“’Lifting – Uma Comédia Cirúrgica’ fala de como as mulheres são subjugadas pelos padrões de beleza impostos pela nossa sociedade, com suas identidades e autoestima pautadas pelo olhar externo, seja do homem, seja do mercado de trabalho, seja até mesmo de outras mulheres. Seu autoconhecimento e sua autoestima estão a reboque do que dita a moda, os produtos, os padrões de comportamento, a indústria da juventude eterna etc.”, analisa uma das idealizadoras, a atriz Angela Rebello.

A plateia ri com as inflexões, pois a direção de César Augusto indica sempre o ponto certo de gargalhar. Esse jogo reproduz o que está no texto: o ridículo de se procurar uma solução que não existe, uma tentativa vã de se transformar só para o olhar do outro. A peça consegue, dessa forma, uma eficiência brutal de nos mostrar como o espelho da alma é revelador. (Fotos: Gabi Castro)

Serviço:
Teatro Sesi Centro
5ª a sábado, às 19h
Domingo, às 18h

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Enviado por: Redação
23/03/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: ”O Porteiro”

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A sociedade contemporânea, com tantas interações, mídias sociais que ampliam a presença das pessoas de forma vertiginosa, também produz a categoria dos invisíveis. São invisíveis as pessoas mais velhas, os que sofrem, os que prestam pequenos serviços aparentemente não relevantes. Assim, os porteiros que encontramos por toda parte são raramente tratados de forma pessoal. Essa é a matriz de “O Porteiro“, em cartaz no Teatro Café Pequeno.

Vai além do monólogo, pois a emocionante atuação de Alexandre Lino cria os níveis de diálogo com a plateia, o que faz de ”O Porteiro”, com direção e texto de Paulo Fontenelle, um momento único no qual o jogo cênico permite que a plateia participe e interaja por uma aparente simplicidade de roteiro, mas que, na verdade, cria um outro nível de recepção.

“No meio de nossa sociedade, existe um Brasil notado por poucos. Um grupo formado por pessoas que, apesar de conviver conosco, até frequentar nossa casa e fazer parte de seu dia a dia, é como se não estivesse lá. O espetáculo “O Porteiro” inverte tudo isso, e são eles, os porteiros, os protagonistas. Com sua irreverência e muito humor, deixam a invisibilidade para apresentar a realidade como um grande parque de diversão. Afinal, invisível não são as pessoas; invisíveis são suas histórias”, conclui Lino.

O texto cômico não se permite um instante de respiro. Waldisney, o porteiro, conta a sua história pessoal, suas perdas, suas vitórias. Seu sentido de observação aguçado, apoiado num texto que evoca as vozes dos depoimentos nos quais bebeu, permite que, aos poucos, a plateia vá vendo além do sempre simpático e uniformizado profissional que encontramos todos os dias. Vemos, enfim, um homem, na sua pele, e, por isso, na sua grandeza.

Serviço:
Teatro Municipal Café Pequeno
Sextas, sábados e domingos às 20h

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Enviado por: Redação
09/03/2018 - 11:00

Teatro, por Claudia Chaves: ”Um casamento feliz”

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Toda família que se preza tem segredos. Um parente, geralmente uma tia velhinha que tem uma herança secreta; um bon vivant que trabalha só para constar; um pai que descobre uma sexualidade depois de um tempão… E, sempre, algo é descoberto. É nessa onda que a comédia ”Um casamento Feliz”, de Gerald Bitton e Michel Muniz, com primorosa tradução e perfeita adaptação de Flávio Marinho, surfa muito bem.

A trama é um grande quiproquó clássico. Confusão total: personagens que adentram em horas inconvenientes, portas que abrem e fecham, campainhas que tocam e causam frisson, mentiras que se confundem com verdades. E com textos rápidos, diálogos praticamente em pingue-pongue, a plateia rola de rir com o Henrique, personagem principal, interpretado por Eri Johnson.

A “convocação” para fazer Henrique veio de Flávio Marinho. Pensei comigo: “Ué, mas o Dodô é o mais engraçado!”. E o Flávio me disse: “Justamente por isso é você que tem de fazer o Henrique; você vai dar essa graça para ele”. Agora adoro o personagem e não me vejo fazendo outro na peça. Sempre fiz comédias, mas o Henrique me traz uma noção de humanismo cênico inédita. O personagem sofre de verdade no meio dessa loucura toda. E é muito engraçado — conclui Eri.

Ao mesmo tempo em que a comédia “Um casamento feliz” nos remete a um tempo em que rir era fácil e simples, e não o melhor remédio, trata de assuntos atualíssimos, como união estável, homossexualidade tardia, a importância da amizade de forma eficientíssima, que vai além de uma comédia. É teatro de verdade.

Serviço:
Teatro Vannuci
Quinta a sábado, às 21h
Domingo, às 20h30.

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Enviado por: Redação
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